Mesas Diretoras da Câmara têm polêmicas e processos

Cargos de comando são ocupados por parlamentares réus em ações e investigados após denúncias

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Severino Cavalcanti ficou seis meses na presidência da Câmara
[CREDITO]MÔNICA ZARATTINI/AGÊNCIA ESTADO- 22.8.2005
Severino Cavalcanti ficou seis meses na presidência da Câmara

Não é novidade a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados ser formada por deputados réus em processos judiciais e envolvidos em polêmicas. Além da atual composição da Casa, eleita neste mês e na qual cinco dos seis ocupantes de cargos de vice-presidentes e secretários têm os nomes citados em esquemas ilegais, na última década praticamente todas as diretorias da Câmara Federal tiveram parlamentares com passado problemático.

O caso mais emblemático ocorreu há dez anos, em 2005, quando Severino Cavalcanti (PP-PE) foi eleito presidente e, junto dele, outros três parlamentares envolvidos em denúncias. Não por acaso, a presença de Cavalcanti à frente do Legislativo não passou de seis meses.

O parlamentar participou de uma das mais turbulentas eleições do Legislativo federal, vencendo o grupo do PT e impondo ao governo do então presidente Lula a maior derrota no Congresso. História que se repete neste ano com a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), candidato “independente” que não conta com o apoio da presidente Dilma Rousseff.

Cavalcanti, antes de completar o primeiro ano de mandato, renunciou acusado de receber “mensalinho” para prorrogar a concessão de um restaurante da Câmara. Ao seu lado estavam nomes como Inocêncio Oliveira (PMDB-PE), acusado de aliciar trabalhadores rurais no interior do Maranhão, e Nilton Capixaba (PTB-RO), que teve o assessor citado na operação Sanguessuga.

Mas os problemas nas eleições para a direção da Casa marcaram os mais recentes processo de escolha. A gestão 2013/2014, encabeçada por Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), contava com pelo menos três acusados de participações em irregularidades. Dois anos antes, na gestão de Marco Maia (PT-RS), também foram investigados três dos seis integrantes.

Já na terceira gestão de Michel Temer (PMDB-SP) como presidente da Câmara, entre 2009 e 2010, os acompanhantes do peemedebista também tinham problemas na Justiça, entre eles Edmar Moreira (DEM), mais conhecido como o “deputado do castelo”.

Para o presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, Carlos Manhanelli, mais do que questionar a moralidade de alguns nomes no comando do Legislativo, é preciso repensar a presença deles no Congresso. “Antes de tudo, eles foram eleitos. Estão lá representado uma parte da sociedade. Cabe ao Judiciário provar as mazelas e, depois, à sociedade pensar no voto”, afirma o consultor. Ele defende a atual regra de eleição da Mesa, que leva em consideração o sistema de proporcionalidade das bancadas e blocos na Câmara. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave