Jovens conectados dormem mal

Estudo com adolescentes de 14 a 18 anos mostra que TV, celular e computador são os vilões do sono

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Atualmente, uma das principais causas da queda na produção noturna de melatonina é a fotoestimulação, provocada principalmente quando o indivíduo se expõe à luz durante à noite, seja vendo TV ou mexendo no smartphone ou no computador.

O estudante Pedro Henrique Ribeiro, 14, já nem se lembra mais quando foi a última noite em que ele dormiu mais de oito horas seguidas. No caso dele, o que tira completamente seu sono é ficar sempre conectado ao celular.

“Às vezes, eu nem durmo porque fico no celular e perco o sono. Só quando estou bem cansado é que consigo dormir uma noite inteira, mas, na maioria das vezes, só durmo depois de meia-noite”, conta.

De acordo com a pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente (Ipom) com 1.830 jovens de 14 a 18 anos, 82% dormem com o celular ligado ao lado da cama, 22%, também com o computador por perto, e 45%, com a televisão ligada.

Na avaliação do médico José Cipolla, esses dados mostram claramente uma das consequências mais sérias da organização social contemporânea que, entre outros fatores, tem uma necessidade de transformar parte da noite em dia. O objetivo parece ser o de aumentar a convivência social, ao vivo ou virtualmente.

“Isso atrasa o sono, reduz consideravelmente a produção de melatonina, reduz a quantidade de sono dormido, altera a organização circadiana. Situações todas essas que geram patologias e reduzem a expectativa de vida”, alerta o professor da USP.

Ribeiro não se incomoda em ficar sem dormir porque diz que isso não o atrapalha no trabalho de dia – ele é funcionário de um lava-jato durante o dia. “Não sei o que acontece. Quando durmo por volta das 5h, consigo acordar às 8h sem sono. Não me faz falta, fico alerta o dia inteiro. Somente à noite volto a ter sono de novo”, afirma.

O jovem afirma que pretende voltar a frequentar a escola ainda neste mês. Ele diz acreditar que, com a rotina entre os estudos e o trabalho, pegar no sono ficará mais difícil ainda. “Vou dormir bem mais tarde”, disse.

Depois das preocupações relacionadas aos estudos, os jovens que participaram da pesquisa responderem que as dificuldades em relação ao sono são: preocupações financeiras, insônia, preocupações quanto aos relacionamentos familiares, estresse, dificuldade de se desligar de estímulos, preocupações quanto a outros relacionamento sociais, ronco, apneia e síndrome das pernas inquietas.

Solução. Tentar sanar essa dificuldade com a melatonina sintética não seria uma boa solução. Segundo Cipolla, a melhor escolha seria “usar óculos e películas para colar nas telas de notebooks e smartphones que eliminam a luz azul (comprimento de onda de 480 nm), que é a responsável por alterar os ritmos endógenos e bloquear a síntese de melatonina”, explica.

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