Hormônio em pílula vira febre contra a epidemia de insônia

Melatonina sintética é indicada para tratar alguns tipos de insônia e jet lag em viagens

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

‘Jeitinho’. Sempre que viaja ao exterior, Ana Maria, 44, aproveita para comprar o remédio do sono
Arquivo pessoal
‘Jeitinho’. Sempre que viaja ao exterior, Ana Maria, 44, aproveita para comprar o remédio do sono

Durante muitos anos, a publicitária e turismóloga Ana Maria Brogliato, 44, tentou conviver com a falta de disposição e o mau humor a cada manhã. Essas situações que lhe tiravam, literalmente, o sono eram sintomas recorrentes após uma noite mal-dormida, e só tiveram solução depois que ela conheceu os comprimidos de melatonina.

Ana Maria está no grupo de mais da metade dos brasileiros (53,9%) que se queixam de insônia. Entre os jovens, o índice é ainda maior: 88% avaliam seu sono como ruim ou insatisfatório, segundo estudo conjunto dos institutos de Pesquisa e Orientação da Mente (Ipom) e Sou +Jovem (veja infográfico na página ao lado).

Para voltar a dormir tranquilamente, a solução para muitos que sofrem à noite tem sido apostar nas cápsulas do hormônio do sono. A publicitária lembra que conheceu o remédio em 2011, durante uma viagem a Nova York e, desde então, faz uso regular. “Eu tomo principalmente quando estou muito cansada, mas sem sono. Gosto também de tomar a melatonina quando faço viagens longas e mudo de fuso horário”, explica.

A advogada e blogueira Julliana Lopes, 32, também nunca teve muita facilidade para dormir. “Minha relação com o sono era péssima, ele nunca era reparador, eu acordava várias vezes e fui algumas vezes parar no hospital”, lembra.

Ela diz que só depois de passar por vários exames com o nutrólogo é que ela descobriu que o seu organismo não produzia mais esse e outros hormônios. “Faço a suplementação desde 2013 e uso todos os dias. No primeiro dia que tomei, já consegui dormir. Semanas atrás fui ‘obrigada’ a ficar sem, porque o remédio acabou, e voltei a ter dificuldade. Quem não dorme direito não raciocina direito, não produz, não tem disposição, e quando voltei a dormir normalmente resgatei tudo isso”, comemora.

Segundo o médico e professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) José Cipolla Neto, a melhora acontece porque os prejuízos vão muito além das horas de sono perdidas.

“Para uma noite em claro, um adulto jovem precisaria de, pelo menos, duas noites para compensar as perdas fisiológicas. Além disso, seria preciso, pelo menos, de três a quatro dias de sono e vigília normais para regularizar a ritmicidade circadiana, inclusive com uma síntese noturna de melatonina adequada”, explica. Por isso, Ana Maria diz que somente com a suplementação consegue acordar mais disposta. “Sempre tive o sono muito leve e o costume de dormir poucas horas. Se eu tomar a melatonina e dormir oito horas, eu acordo bem descansada”, conta.

Emagrece. Cipolla acabou de concluir um estudo sobre o papel da melatonina no metabolismo, e os resultados indicam que, além de regular o sono, o hormônio controla também a ingestão alimentar, o gasto de energia – bem como seu acúmulo no tecido adiposo –, a síntese e a ação da insulina. “A melatonina é mais um dos fatores responsáveis na fisiologia do organismo para controlar e regular o peso, mas não deve ser vista como um hormônio milagroso que poderia resolver o problema da obesidade. No entanto, em certas situações em que, sabidamente, ela está reduzida, e a obesidade é um dos efeitos colaterais, a utilização seria indicada, e, certamente, ela contribuiria para a regularização do peso corpóreo”, diz Cipolla.

Onde comprar

Países. A compra de cápsulas de melatonina sintética em qualquer farmácia dos Estados Unidos é livre. Países vizinhos ao Brasil, como Uruguai e Argentina, também vendem o produto.

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