Aplicativos para se comunicar com adolescentes

iG Minas Gerais |

Como as queixas dos pais sobre indiferença, frieza e “autismo” de seus filhos andam no limite, está na hora de pegar a moda de aplicativos como facilitadores das relações familiares. Algumas sugestões, sem medo do ridículo: Às seis da madrugada, os jovens estão no quinto dos sete sonos, até que um celular vibra escandaloso ao lado da cama: 1) “Boommm diaaa, Brasiiiil”, na voz do Chico Pinheiro. Assustado, o adolescente tem o impulso de arremessar o aparelho à distância, mas mesmo bêbado de sono, lembra-se da quantidade de conteúdos baixados e consegue desligar aquele aplicativo esquisito que a mãe instalara na noite anterior. Cinco eternos minutos depois, um novo pesadelo: “aí, galera, hora de despertar”. Sim, ele, o Pedro Bial, amado e odiado, mestre do BBB, urra mais alto ainda. Travesseiro no ouvido, mau humor matinal e, passados mais cinco minutos, soa aquela voz inconfundível e familiar: “Última chamada, em 10 minutos, dente escovado, cama arrumada, estou na garagem”. Voz de pai é milagrosa e pula de uma vez, não sem antes praguejar meia dúzia de delicados impropérios. Enquanto isso, em Gothan City, uma mãe feliz aproveita o merecido sono das guerreiras no quarto ao lado. Santo aplicativo! 2) WhatsApp e seu som irritante e repetitivo: “Pô, mãe, responde se posso dormir na casa da minha amiga neste fds?!???” Na tela, reaparece a mensagem “sem conectividade, erro desconhecido”. Quarenta tentativas e meia hora depois, um furacão quase derruba a porta: “qual é ?” E um sorriso maternal responde: “Que saudade, filhinha, estava sozinha, parece que adivinhou.Senta aqui, meu amor!” Bendito aplicativo desconectado. Depois de ficar irada, bem que curtiu o colo e o cafuné. Ah, já ia esquecendo, adorou o filme e a pipoca caseira. 3) “Tudo bem, filhão?” “Hum-hum.” “Quer dar uma saída, lanchar, cinema, shopping?” “Não, véio, estou jogando...” “Com quem?” “Tá zoando?” Barulho de celular vibrando, o pai atende e começa a dedilhar freneticamente na porta do quarto do filho. Sons de multidão vibrando, o pai aumenta seus movimentos. Conversas de mulheres ao fundo, o pai gargalha divertido. O barulho aumenta, o pai vibra e grita: “Cara, ganhei” e sai para a sala. Segundos depois, o filho vem, curioso: “Ô véio, que doideira é essa?”. “Ganhei dois milk-shakes num aplicativo para tiozinho. Tô saindo...”. “Para espanto geral da galera, o filhão implora: “Me leva, pai ?!” Aplicativo que permite dar “ninja” em filho adolescente realmente não tem preço! Não reclame do mutismo, do mau humor e do vício em tecnologia, ou acomode-se em achar que filhos são de Júpiter e pais são da Terra do século XX. Somos artesanais, temos histórias ridículas e engraçadíssimas para contar (eles não, apenas mostram bobos vídeos do YouTube ou piadinhas requentadas, situações constrangedoras que caem na internet e viralizam e, na balada da noite, todos já viram, mas, bêbados, acham graça novamente igual a bebê que repete estímulo. Somos criativos, temos cultura e sabedoria a transmitir. Chega de inibição afetiva entre pais e filhos. E, quer saber, que aplicativo que nada, pra filho chato, difícil, ditadorzinho e “se achista”, uma boa banana! Vá viver, ser feliz e entrega pra Deus os paridos pela tela. Aqui é pai na real, meu filho!

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