Falem de mim

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Hoje é dia do mais famoso tapete vermelho. Hoje é dia de Oscar. Isso significa milhões de telespectadores e internautas em estado de alerta para ver os modelos e marcas desfilados pelas atrizes e os atores mais badalados do cinema. Em 2001, Julia Roberts recebeu o Oscar de melhor atriz por “Erin Brockovich”, com um vestido do costureiro italiano Valentino. Deixando de lado as novidades da moda, Roberts atravessou o tapete vermelho com um modelo da coleção de alta-costura de Valentino de 1992. Sua escolha avalizou a moda vintage alavancando sua popularidade e ressaltou a fama da Maison Valentino. A transmissão do Oscar de 2014 teve uma audiência de 43 milhões de telespectadores, apenas nos EUA. No Twitter, 17 milhões de mensagens foram postadas durante a premiação. Os números americanos já dão a dimensão do alcance do show mesmo que não se tenha a audiência total da premiação. Entretanto, assim como o sucesso de um ator ou de uma marca, existem aqueles que são unanimidade em bizarrice e exagero. A cantora islandesa Björk e a americana Cher encabeçam a lista das piores escolhas de todos os tempos. A primeira, em 2001, apresentou-se com o já badalado vestido cisne que virou um sinônimo de mau gosto; a segunda, em 1986, veio com uma produção tão exagerada, com tanto excesso de informação, que quase 30 anos depois ainda é lembrada e citada. Para o universo da moda, o Oscar pode ser uma noite de brilho ou fiasco. As marcas fazem o possível para atrair a atenção das atrizes do primeiro escalão, mesmo que não estejam concorrendo ao prêmio. Aparecer na mídia, ainda mais espontaneamente, é um presente para poucos. Significa ter a marca exposta para milhões de espectadores, no corpo de uma celebridade, ao preço de custo de um vestido. Publicidade que é computada como lucro e que atualmente, com a internet, é replicada infinitamente pelos blogs e sem data de validade. A atriz do filme “Doze Anos de Escravidão”, Lupita Nyong'o agradou ao aparecer em um diáfano vestido azul-claro, da marca Prada, para a cerimônia de 2014. Um ano antes, porém, em 2013, a Prada havia sido envolvida em uma disputa de opinião quando a indicada Anne Hathaway desfilou com um simples e elegante vestido cor-de-rosa. Esperava-se que ela usasse um Valentino, que além da fama, tem um relacionamento de amizade com a atriz. O evento foi o suficiente para que internautas de todos os cantos dessem sua opinião sobre se a escolha de Hathaway fora apropriada ou não para a ocasião. E onde estava o badalado Valentino? Como se pode observar, assim como o tapete vermelho é motivo de fama e celebridade, todos os envolvidos correm o risco de serem tratados como fracasso do ano. A moda não é mais tema apenas para os editores de revista, designers ou produtores no mundo globalizado. É também assunto para a opinião pública, que deixa clara a sua preferência. Entretanto, entre tanta discussão, todos aparecem, são vistos, e arrebatam antigos e novos fãs. O importante é estar presente no tapete vermelho, e os debates são bem-vindos. Mesmo os mais acirrados. Ou como poderia-se dizer: falem bem ou falem mal, mas falem de mim.

Mariana de Faria Tavares Rodrigues é mestre em moda, pesquisadora de história da moda e docente no Centro Universitário UNA.

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