Pará de Minas tira Copasa e pode pagar R$ 85 mi

Município homologa empresa que será responsável pelo abastecimento

iG Minas Gerais | Angélica Diniz |

Indignação. 
No mês de maio, moradores protestaram contra a constante falta de água no município
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Indignação. No mês de maio, moradores protestaram contra a constante falta de água no município

A falta de água em Pará de Minas, na região Central, deverá ser resolvida de forma definitiva em cerca de oito meses, segundo informou o prefeito Antônio Júlio (PMDB). Depois de cinco anos de impasse com a Companhia de Saneamento de Minas (Copasa), o município homologou nesta sexta a nova empresa responsável, pelos próximos 35 anos, pelo abastecimento e o tratamento de esgoto: Águas do Brasil. No entanto, a prefeitura pode ter que ressarcir R$ 85 milhões à Copasa devido aos investimentos feitos pela empresa nos últimos anos, que não foram amortizados pelo município nesse período.

Uma fonte ligada ao setor de abastecimento garantiu que parte dos investimentos da Copasa nos últimos anos não foi remunerada. O valor calculado pela agência reguladora é quase o mesmo que a Águas do Brasil deve investir para obras de abastecimento em Pará de Minas – cerca de R$ 88 milhões.

Antônio Júlio admitiu que fará um levantamento dos ativos e que haverá uma reunião nos próximos 60 dias entre a direção da Copasa, a prefeitura e a Águas do Brasil, mas disse não acreditar em ter de pagar nenhum valor para a estatal. “A Copasa é que tinha de nos indenizar pelo serviço que deixou de prestar”, alegou.

O motivo para o descredenciamento da Copasa, segundo o prefeito, é a falta de capacidade de investimento da estatal. “Tivemos inúmeros desentendimentos com a antiga direção da Copasa, ocupada pelo PSDB. A empresa tinha interesse em continuar com os serviços na cidade, mas sem dar nenhuma garantia. Agora, o entendimento com o novo governo está tranquilo, mas todos sabemos que a Copasa não tem capacidade de investimento para os próximos dez anos”, justificou o prefeito.

Apesar de se intitular “transparente”, a nova administração da Copasa se recusou a explicar o impasse da concessão com a Prefeitura de Pará de Minas e nem quis esclarecer como seria essa transição dos serviços.

O contrato com a nova empresa prevê a implantação de uma adutora de 28 quilômetros para captar água do rio Paraopeba em, no máximo, dois anos. No entanto, o prefeito Antônio Júlio disse que a empresa pode resolver o problema antes desse prazo. “A Águas do Brasil terá de criar alternativas para normalizar o abastecimento em menos tempo”, disse.

A obra será implantada no distrito de Córrego do Barro, onde serão captados 300 l/s. A outorga será concedida pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) até 25 de fevereiro, apesar da Deliberação Normativa para restringir a liberação de outorgas.

Interrupção de abastecimento afetará Belo Horizonte e região Belo Horizonte e outras seis cidades da região metropolitana ficarão sem água hoje, conforme comunicado da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Além da capital, Raposos, Nova Lima, Sabará, Santa Luzia, Vespasiano e Ribeirão das Neves serão afetados. Na maioria, o desabastecimento será em 100% dos municípios. A interrupção na capital mineira chegará a centenas de bairros, em todas as regiões. A justificativa da Copasa é a manutenção preventiva no Sistema Produtor de Água Rio das Velhas (SRV). A previsão é que o fornecimento seja normalizado, de forma gradativa, entre a noite deste sábado e a madrugada deste domingo.

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