Roberto Teixeira da Costa

Economista conselho empresarial da américa latina

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

O que significa, no contexto venezuelano, a prisão do prefeito de Caracas?

O presidente (Nicolás) Maduro vem passando por enormes dificuldades políticas, econômicas e sociais. A oposição venezuelana tem cada vez mais argumentos contra o presidente, que está levando a Venezuela à bancarrota. O que o senhor Maduro faz, em vez de resolver o problema, é prender seus inimigos. Já prendeu outros políticos, e agora o (Antonio) Ledezma.

Maduro alega que Ledezma organizava um golpe contra ele.

Em sua declaração de ontem à tarde, Maduro disse que fez a prisão baseado no fato de que o prefeito de Caracas, um dos líderes da oposição, havia conspirado contra o ex-presidente (Hugo) Chávez. Voltar a esse assunto agora me parece descabido, extemporâneo.

Quando não é isso, ele põe a culpa em uma tentativa de golpe dos EUA. Convenhamos, os EUA têm coisas mais importantes para se preocupar.

Crises econômicas levam a um recrudescimento dos regimes totalitários. Por quê?

É uma medida desesperada. Fica muito claro que, em situações de dificuldade, o totalitarismo aparece como única maneira de eles se manterem no poder. Sabemos que isso pode durar um tempo, mas uma hora terá que acabar.

Qual deve ser a resposta do Brasil a esse regime de Maduro?

O Brasil tem interesses econômicos na Venezuela, o que dificulta uma tomada de posição individualizada. Mas ele deveria atuar por meio da Unasul e do Mercosul, pedindo que elas deem recomendações expressas para que se obedeçam os princípios democráticos no país – aliás, esse é um dos princípios do Mercosul. 

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