Holanda é nova vítima de espiões

Governo do país denuncia grampos das agências de inteligência dos EUA e do Reino Unido

iG Minas Gerais |

O informante. 
Edward Snwoden (na projeção) foi quem revelou a invasão da estatal por órgãos de inteligência dos EUA e Reino Unido
TOBIAS SCHWARZ
O informante. Edward Snwoden (na projeção) foi quem revelou a invasão da estatal por órgãos de inteligência dos EUA e Reino Unido

Washington, EUA. A Sede das Comunicações do Governo britânico (GCHQ, na sigla em inglês), em cooperação com a Agência de Segurança Nacional norte-americana, (NSA, na sigla em inglês), invadiram o sistema da Gemalto, companhia holandesa de telecomunicações, para roubar códigos que permitem espionar telefones celulares ao redor do mundo, de acordo com documentos entregues a jornalistas pelo ex-analista da NSA Edward Snowden.  

A história sobre os documentos, publicada na quinta-feira no site “The Intercept”, não dá detalhes sobre como as agências de inteligência empregaram o método de espionagem, não apresentando evidências de que usaram a tecnologia para espionar pessoas que não são suspeitas.

Entretanto, a operação contra a maior fabricante mundial de chips de dados de telefone móvel está criando polêmica ao redor do mundo. A ação passa a ideia de que a NSA e sua equivalente britânica farão qualquer coisa que acharem necessário para aumentar seu sistema de segurança, mesmo que isso signifique roubar informações de companhias que cumprem a lei. O alvo da ação, a empresa Gemalto, com sede na Holanda, fabrica “módulos de identificação de assinantes”, conhecidos em inglês como cartões SIM e em português como chips de celular, usados em telefones celulares e cartões de crédito.

Uma das três sedes da companhia é em Austin, no Texas. De acordo com a matéria do “The Intercept”, entre seus clientes estão a AT&T, T-Mobile, Verizon e Sprint, algumas das maiores companhias de telecomunicações do mundo.

De acordo com a “The Intercept”, hackers do governo britânico espionavam engenheiros da Gemalto ao redor do mundo. A partir do momento em que se está dentro do sistema, os espiões britânicos, em operação em conjunto com a NSA, roubaram as chaves de criptografia que permitem a decodificação das informações que passam entre os telefones celulares e as torres de comunicação, possibilitando a interceptação de ligações, mensagens de textos e e-mails.

O “The Intercept” não apresentou nenhuma evidência de espionagem de clientes norte-americanos dessas empresas, e representantes das companhias afirmaram que não tinham nem ideia que seus sistemas foram invadidos. Para especialistas, o fato compromete muito a segurança dos telefones celulares. Em declaração nesta sexta, a Gemalto disse que não podia confirmar que a invasão realmente ocorreu e “não tinha conhecimento que as agências estavam conduzindo operações desse tipo”.

A companhia ainda declarou que “vai investir todos os recursos necessários para investigar profundamente a invasão denunciada”.

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