Apesar de atraso em inventário, número de técnicos cai 91%

Dos 35 funcionários iniciais, só três seguem no trabalho; falta de pagamento seria um dos motivos

iG Minas Gerais | BERNARDO ALMEIDA |

Plantas. Estudo analisa, entre outros, a posição da espécie com relação ao passeio e à rede elétrica
Uarlen Valério
Plantas. Estudo analisa, entre outros, a posição da espécie com relação ao passeio e à rede elétrica

Apesar do atraso de mais de um ano, a equipe que cuida do projeto Inventário das Árvores de Belo Horizonte foi reduzida, desde novembro, dos 35 profissionais iniciais para apenas três, queda de 91,4%. A baixa no número de técnicos estaria acontecendo por falta de servidor da prefeitura da capital para auditar os dados. A demora para a conclusão do trabalho, que teve início em 2011, preocupa não apenas por uma necessidade de criar catálogo, mas também por sua importância na tentativa de reduzir o número de quedas. Apenas nos 19 primeiros dias do mês, o Corpo de Bombeiros registrou 251 ocorrências relacionadas a árvores. Delas, 123 eram de quedas.

“Reduzimos a equipe em novembro, porque atualmente a PBH só tem uma pessoa para auditar os dados. Na medida em que tenho 35 pessoas no campo, tenho uma gasto brutal, e só posso receber depois que as auditorias forem realizadas. Ainda não recebemos o relativo a 2013 e 2014, então houve um descompasso. Mas não é um problema, é normal do serviço público”, disse José Roberto Scolforo, coordenador da equipe técnica da Universidade Federal de Lavras (Ufla), parceira da Prefeitura de Belo Horizonte e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) no projeto.

Segundo Scolforo, a previsão é que o número de técnicos seja restabelecido em março. O inventário, por sua vez, é prometido para 2016. Em balanço divulgado na semana passada, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) informou que quase 250 mil árvores já foram catalogadas. A expectativa inicial era que houvesse 300 mil na cidade, e o levantamento vai cobrir a análise apenas desse montante. Para cobrir as demais 165 mil, descobertas ao longo do trabalho, um novo contrato deverá ser firmado.

A SMMA confirma o número de técnicos nas ruas, mas contesta o motivo. “Estamos em época de transição orçamentária, portanto estamos utilizando este período para fazer as avaliações, mas tudo isso já estava previsto no contrato”, diz Júlio De Marco, gerente de projetos especiais da secretaria. Segundo ele, hoje há três auditores trabalhando na certificação de dados, portanto não é fator que contribua para atrasos.

Histórico. Anunciado após a morte de uma mulher atingida por uma árvore e iniciado em outubro de 2011, o inventário teve sua conclusão adiada. “A previsão inicial era de finalizar em um ano e meio, dois anos, mas logo depois vimos que não seria suficiente”, diz a gerente de gestão ambiental da SMMA, Márcia Mourão.

“O número de árvores se revelou maior que a estimativa inicial, percebemos que não era possível fazer o levantamento em dias de chuva por causa dos equipamentos, e alguns técnicos tiveram os tablets roubados, então tivemos que destacar um guarda para cada profissional, o que limitou o tempo de trabalho de acordo com o itinerário da Guarda Municipal”, explica Márcia. Pelo menos 12 assaltos foram registrados.

O coordenador da equipe da Ufla aponta outros contratempos. “O número de espécies também mudou, de 150 para 400 já catalogadas. Cada nova espécie demandava mais tempo. Além disso, o bairro de Lourdes foi usado como laboratório para estipular o tempo, que era de quatro minutos por árvore. Mas em outras localidades as árvores são mais distantes entre si, leva mais tempo, e muitos locais não têm a mesma estrutura, inclusive de banheiros, o que gerou mais demora”, ressalta Scolforo.

Novo estudo

Promessa. No primeiro levantamento, foram catalogadas as árvores das regiões Leste, Noroeste, Oeste e Centro-Sul. Após finalizar o catálogo das primeiras 300 mil árvores, a prefeitura fará um outro contrato para as 165 mil excedentes. “Vamos estudar como faremos a outra etapa, nem os custos podemos prever”, diz a gerente da PBH Márcia Mourão.

Dados. Não há previsão para duração do novo estudo. “Acreditamos que possamos chegar a ter entre 500 mil e 600 mil árvores em BH”, diz José Roberto Scolforo, coordenador da equipe técnica da Ufla.

Cidadão

Ajuda. Em caso de risco de queda de árvore, o morador pode procurar sua regional ou ligar no telefone 156. Caso haja risco para a rede elétrica, a Cemig pode ser acionada pelo 116.

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