Onde eu vou amarrar a bike?

Ciclistas cobram mais locais adequados para estacionar as bicicletas no dia a dia em BH

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Improviso. 
Fabiano Fonseca mostra que em muitos locais os postes são inviáveis para prender a bike
Lincon Zarbietti / O Tempo
Improviso. Fabiano Fonseca mostra que em muitos locais os postes são inviáveis para prender a bike

Embora o número de pessoas pedalando pelas ruas de Belo Horizonte aumente a cada dia, a infraestrutura necessária para se transitar com segurança não conseguiu acompanhar a demanda de quem decidiu adotar para valer a bicicleta como meio de transporte. Além da falta de ciclovias – sempre cobradas –, os ciclistas enfrentam a dificuldade de não ter onde estacionar as magrelas nos destinos.

Por toda a cidade, são poucos os edifícios que liberam a entrada da bicicleta, e contar com bicicletários públicos nem sempre dá certo. Belo Horizonte tem 186 vagas em 93 paraciclos – estruturas para fixação da bicicleta –, número ainda insuficiente, na avaliação de ciclistas. Sem alternativa, o jeito é improvisar. Mesmo inapropriados e, por vezes, pouco seguros, postes, árvores e grades acabam sendo as soluções para prender a bike. “Qualquer pessoa que rode pela cidade (de bicicleta) tem dificuldade para estacionar”, afirma a jornalista Ana Paula Drumond Guerra, 44. “Normalmente temos que improvisar, prendendo em grades ou telefones públicos. Outro dia tentei deixar em um estacionamento, mas nem pagando os responsáveis me deixaram entrar”, conta. Para o voluntário da Associação dos Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte (BH em Ciclo) Vinícius Mundim, 32, a estrutura para se estacionar bicicletas é praticamente inexistente. “Falta estímulo para que os prédios comerciais adotem espaço para quem quiser chegar de bicicleta. Para deixar no poste, você acaba sendo obrigado a ter um cadeado muito bom, e os que temos no mercado são muito fáceis de arrombar”, pondera. Mundim explica que para se ter boas condições de pedalar é preciso um tripé: motoristas e ciclistas se respeitando no trânsito; ciclovias em locais realmente necessários; e estrutura de estacionamento no destino, seja de bicicletários ou espaços de garagem. Segundo ele, em uma vaga de carro é possível colocar ao menos dez bicicletas. “Mas em Belo Horizonte, temos que evoluir nos três quesitos”, diz. A jornalista e DJ Sandra Nascimento, 50, que vendeu o carro e só usa bicicleta, acredita que a inexistência de locais adequados para estacionar acaba desestimulando muitos a começar a pedalar. “A gente improvisa, mas as pessoas ainda demonstram uma certa má vontade, tipo: ‘lá vem aquela chata com a bicicleta querendo parar aqui’”, lamenta. Inseguro. No improviso para estacionar, resta ficar de olho ou contar com a sorte para a bike estar inteira na hora de buscar. “Estacionar nas ruas é sempre um risco. Fazemos o uso do espaço público, utilizando cadeados, mas é sempre bom tomar cuidado e não deixar nada que seja facilmente removível”, diz o autônomo Fernando Nobre, 40. “A gente fica submetido ao estresse de a bicicleta ser violada, ter o pneu furado ou ser roubada”, concorda o designer Fabiano Fonseca, 38. Adepto da ioga, o ciclista, que teve a sua bicicleta furtada há dois meses, conta que quando vai meditar na rua e não encontra locais seguros acaba amarrando a bicicleta ao próprio corpo. Quem também não teve sorte foi o comerciante Carlo Giatti, 51. Ele deixava a bicicleta amarrada em frente à sua loja, todos os dias, mas, num descuido, a roubaram, na última quarta-feira. “A questão é que não se pode bobear. Quando ia ao centro, era sempre um sufoco encontrar um porteiro gentil, que desse uma olhadinha na bike para mim”.

Passeio na lagoa Agenda. Acontece amanhã, na Pampulha, a partir das 10h, mais uma edição do Tweed Ride BH, um passeio com ares retrô realizado com o objetivo de promover o uso da bicicleta como meio de transporte. A concentração será em frente ao parque ecológico José Lins do Rego. Elegância. Com figurinos e acessórios das décadas de 1940 e 1950, os participantes darão a volta na lagoa, espalhando a ideia de que a bike é uma forma elegante de se locomover pela cidade, que não precisa estar associada à prática esportiva. Além do passeio, haverá apresentação de dança e um piquenique.

Bicicletário tem banheiro, café e água A cidade de Mauá, em São Paulo, é referência em estacionamento para bicicletas. Desde 2001 funciona, ao lado da estação ferroviária, um bicicletário para os usuários dos trens. O espaço, que começou com capacidade para 200 bikes, atende hoje 1.700 ciclistas, diariamente. Além de guardar bicicletas por R$ 10 ao mês, no local – mantido pela Associação dos Condutores de Bicicletas (Ascobike) –, os usuários contam com banheiros, café, água e serviços de manutenção e empréstimo de bikes.

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