Bem riscado e furado

iG Minas Gerais |

BH é a “meca” dos tatuados. Quase todo mundo tem ao menos uma tatuagem ou pretende fazer. Com piercing não é diferente, nem que seja um furo na orelha. À frente da Pietà Tattoo, na Savassi, o tatuador Gringo (na foto, à esquerda) comanda uma equipe de feras, incluindo “o cara” dos piercings, Sidinho (à direita). A seguir, nosso papo com a dupla.

Gringo e Sidinho, como começaram na tatuagem e no piercing? Gringo: Em 1992, tatuando em casa mesmo, e abri minha primeira loja no ano seguinte. Eram poucos tatuadores em BH, alguns já tinham estúdio. Sidinho: Faço piercing desde 1999. Aprendi com o Gringo, na antiga loja dele. Em 2003, abriu a Pietà e me chamou pra trabalhar com ele. Sobre os tatuadores, material, higiene... O que evoluiu? A evolução profissional vai de cada um, mas, em geral, os tatuadores se dividem mais por estilo, se especializam. Os bons escolhem seus trabalhos, não tatuam qualquer coisa a pedido do cliente, sabem dos seus limites. Antigamente, fabricávamos nossas próprias máquinas de tattoo. O material era todo importado. Hoje, o acesso é bem mais fácil. Outra mudança foi por causa da homologação da Vigilância Sanitária, que passou a fazer várias exigências e nos fiscalizar. E os estúdios, antes escondidos, agora têm mais visibilidade. Também têm decoração mais caprichada, passam um conceito, como uma loja de grife. S: Em meados dos anos 90, não havia fornecedores de piercing, a gente mesmo fabricava as peças e vendia para estúdios do Brasil todo. O Brasil já é referência? G: Com certeza. Temos alguns dos melhores tatuadores do mundo. Belo Horizonte, inclusive, é um polo, o lugar do país onde mais se tatua (proporcionalmente à população). S: O mercado de piercing está crescendo, mas a referência ainda é a Europa. Tem moda? O que está em alta? G: Sempre tem moda. Atualmente se escreve muito (palavras e frases) e se faz muito maori e geométrico. S: Estão em alta os piercings no septo e o microdermal, que é mais novidade. Em BH, quase todo mundo é tatuado e tem pelo menos um piercing, né? G: Antigamente, como dizia meu pai, quem tatuava era “maloqueiro”. Hoje (acima de 18 anos) não tem idade, círculo social ou estilo. Também há muito mais mulheres com tattoo. S: Até as senhoras mais velhas têm pelo menos um segundo furo na orelha. Então o preconceito diminuiu bastante? G: A ideia é essa, colocar o preconceito na parede. Uma hora não vai ter jeito: todo mundo vai ter tattoo. Hoje em dia, quase ninguém deixa de se tatuar por trabalho, profissão. Dependendo da empresa, ser tatuado é até pré-requisito. S: Com certeza diminuiu muito. Só chama atenção mesmo um alargador muito grande ou quem tem vários piercings no rosto. As profissões em voga sempre mudam. Todo mundo quer ser modelo, DJ, chef de cozinha... A próxima é tatuador? G: Já é. Talvez pelo status, flexibilidade de trabalho, ser dono do próprio negócio. Muitos se dizem, mas não são tatuadores. Pra gente não faz diferença, nós estamos aí há mais de 20 anos.

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