Barbie ‘espiã’ fala com crianças e envia conversas para os pais

Equipada com Wi-Fi, microfone, alto-falante e banco de dados, boneca tem diálogo personalizado

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

À primeira vista. A Hello Barbie tem aparência semelhante à das outras bonecas
DAVID CHICKERING / MATTEL
À primeira vista. A Hello Barbie tem aparência semelhante à das outras bonecas

É quando estão brincando que as crianças buscam entender o mundo a sua volta, desenvolvem a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Mas um novo modelo de Barbie – boneca que desde a sua criação foi popular e polêmica na mesma proporção e fez parte da infância de várias gerações – parece extrapolar esse propósito.

A Hello Barbie, apresentada na Feira de Brinquedos de Nova York na semana passada, ganhou repercussão por ser uma versão hightech capaz de ouvir a criança, processar a informação e dar uma resposta lógica, além de contar histórias e piadas.

Segundo um porta-voz da Mattel, empresa norte-americana responsável pelo brinquedo, o modelo surgiu para atender o pedido de várias meninas ao redor do mundo, que diziam desejar ter uma conversa com suas bonecas. Porém o modelo também é uma tentativa de frear a queda nas vendas.

Espiã. Microfone e alto-falantes estão localizados no colar da boneca, e as baterias recarregáveis que ficam nas pernas duram uma hora. Mas o que chama a atenção é que, para interagir com o brinquedo, basta pressionar um botão em seu cinto que, em seguida, a Barbie faz uma pergunta. As respostas da criança são registradas, criptografadas e enviadas para os servidores da ToyTalk, empresa parceira na criação.

O áudio então é processado pelo software de reconhecimento de voz, permitindo que os sistemas descubram o que foi dito e qual a melhor forma de responder – dando à criança a impressão de que a Barbie é uma amiga real. Todos os diálogos da boneca são escritos por funcionários contratados pelas empresas. Com as falas guardadas, os desenvolvedores sabem o que a criança quer dizer à boneca e que tipo de respostas precisam dar.

O software também permite aos pais especificar os temas da conversa e adicionar informações pessoais, como o nome de um animal de estimação, construindo assim um banco de dados personalizado. A qualquer momento, os pais também podem receber um e-mail (semanal ou diário) com as conversas. Ainda não está claro por quanto tempo as gravações ficariam armazenadas.

Alguns críticos, no entanto, têm questionado se os brinquedos conectados à internet colocam em risco a tradicional forma de explorar a imaginação e a fantasia durante a interação, mas os desenvolvedores não acreditam e reforçam que “algumas vezes, a criança vai brincar conectada à internet, e, em outras, da forma tradicional, usando a imaginação”.

Preço. A previsão é que o brinquedo com computador, Wi­Fi, microfone, alto-falante e bateria chegue ao mercado no Natal custando US$ 75 (R$ 215).

Brinquedos ‘inteligentes’ podem ser vulneráveis No ano passado, outra boneca “inteligente” chamou a atenção no Reino Unido. Diferente da Barbie, a Cayla é, essencialmente, um fone de ouvido com bluetooth vestido como uma boneca. Quando ela ouve a voz de seu dono, envia as palavras de um aplicativo que utiliza o software de reconhecimento de voz para transformá-lo em texto. O aplicativo, em seguida, escolhe palavras-chave e vasculha a internet por uma resposta. Porém pesquisadores de segurança descobriram várias vulnerabilidades no sistema, permitindo, inclusive, que a boneca recebesse telefonemas. Outro exemplo é um dinossauro verde que está em desenvolvimento pela IBM para poder se comunicar por um serviço de reconhecimento de voz sem fio. Os inventores esperam que o brinquedo seja usado não apenas para fornecer um companheiro digital, mas também para educar.

Campanha Um vídeo gravado em uma pacata rua de Casimiro de Abreu, bairro do interior do Rio de Janeiro, com adultos brincando de queimada e rouba bandeira, já foi compartilhado por mais de 130 mil pessoas. A “Campanha de incentivo às brincadeiras de rua” foi idealizada por Wanderson Chan depois de ele observar a falta de interesse das crianças sempre conectadas em tablets e celulares.

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