Willy Wonka piemontês

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Bela e ensolarada, Turim não é uma cidade industrial”
Renato Quintino/divulgação
Bela e ensolarada, Turim não é uma cidade industrial”

Criada como alternativa para cortar custos na época em que o cacau era caro e racionado devido à recente Segunda Guerra Mundial, o italiano piemontês Pietro Ferrero teve a ideia de misturar avelãs baratas e abundantes na região a sua pasta de chocolate. Nascia um clássico, a pasta gianduía – que depois de tornada cremosa e batizada de Nutella por seu filho Michele Ferrero em 1964 – tornou-se um dos maiores sucessos de venda do mundo da gastronomia em todos os tempos.

Fenômeno imediato de público e crítica, no ano passado, a Nutella chegou a ganhar um selo comemorativo de 50 anos do serviço postal italiano. Seu sucesso se consolidou depois de ter sido exportada em 1983 aos Estados Unidos, começando uma carreira de ascensão no mercado internacional – em meados dos anos 80, segundo estatísticas, os alunos da universidade de Columbia consumiam mais de 100 libras por dia.

Exportada inicialmente para a Alemanha, a Nutella hoje está em 53 países, o que fez Michele Ferrero – que produz também o chocolate Ferrero-Rocher e o Tic-Tac – ser conhecido como o homem mais rico da Itália (número 22 no ranking da revista “Forbes”), local em que o chocolate superou o faturamento da indústria de moda e do automóvel, dois grandes pilares da economia italiana.

Perda

Michele Ferrero faleceu há uma semana, aos 89 anos, em sua casa em Monte Carlo, de onde ia diariamente ao trabalho em Alba, no Piemonte, de helicóptero. Conhecido como um Willy Wonka da vida real, Ferrero era reservado (só aparecia de óculos escuros em público) e devoto da Virgem Maria (fazia viagens à Lourdes todos os anos e possuia em todos os escritórios da empresa pelo mundo uma estátua da Madonna).

Da cidade de Alba veem grandes ícones da gastronomia, a trufa branca e a gianduía, que colocou o Piemonte como um dos grandes destinos para gourmets no mundo, fama acrescida pela produção regional dos espetaculares vinhos Barolo e Barbaresco.

O primeiro Eatly que chega agora a São Paulo, depois do enorme sucesso em cidades como Nova York e Tóquio, começou em Turim, onde encontramos Barolos em taça acompanhando uma perfeita carne grelhada, variações de gianduías de toda espécie e dezenas de produtos selecionados pelo movimento slow food.

O sucesso da Nutella, usada até por chefs parisienses estrelados, atesta que grandes fórmulas e receitas surgem em momentos de escassez. Depois que a roda foi inventada (toda ideia parece fácil após criada), fica o prazer de provar um doce que já sai pronto do pote, em que o difícil é ficar em apenas uma colherada

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