Casal é espancado na volta do Carnaval e polícia desencoraja B.O.

O suspeito assediou a jovem e quando o namorado foi tirar satisfações, ele foi espancado até ter traumatismo craniano e lesão cerebral

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Era para ser um "Carnaval do Amor", como foi para tantos foliões de Belo Horizonte nos últimos dias, mas para o casal Thaís Mendes Alves e Jorge Gabriel Gomes Simões, ambos de 23 anos, a festa terminou em tragédia. Eles foram agredidos por um homem que ainda não foi identificado quando voltavam para a casa, na madrugada da última segunda-feira (16). Jorge continua internado no hospital, após passar por cirurgia, já que teve traumatismo craniano e lesão cerebral.

A estudante de turismo Thaís conta que foi curtir o Carnaval com o namorado, o geógrafo Jorge, no último domingo (15), e depois de assistir a um show na praça da Estação eles foram para um bar perto do viaduto Santa Tereza, para prolongar a festa. Na hora de ir embora, já por volta das 4h de segunda, eles caminhavam em direção a um ponto de ônibus na avenida Amazonas para voltarem para a casa, quando o crime aconteceu.

"Em algum momento nós passamos por um bar onde algumas pessoas estavam bebendo, meu namorado estava um pouco mais a frente. Eu me lembro da cena em que um homem me abordou de forma grosseira e eu o afastei. Aí fui falar com meu namorado que tem gente que não respeita mulher de jeito nenhum, e quando olhamos pra trás, ele estava lá, nos encarando com os braços cruzados. Estava nos seguindo. Meu namorado foi ver porque ele estava fazendo isso, e quando eu vi, estávamos caídos no chão, sangrando, e meu namorado inconsciente. Não me lembro de detalhes, é tudo muito confuso na minha cabeça, porque depois das agressões nós ficamos desacordados, mas ele era branco, alto, muito forte, tipo bombado, usava calça jeans", conta a universitária.

Segundo a jovem, depois que o namorado foi tirar satisfações com o agressor, ela olhou para trás e viu ele espancando a vítima.  "Aí eu corri atrás, fui tentar fazer alguma coisa, separar, tirar aquele monstro dali, mas depois não me lembro de mais nada. Quando acordei, estava sangrando e meu namorado estava do meu lado, tremendo, parecia uma convulsão. Sangrava muito, ele não estava consciente", conta.

Thaís relata que depois disso algumas pessoas ajudaram o casal, que foi colocado em um táxi a caminho do hospital Odilon Behrens. Jorge teve traumatismo craniano e lesão cerebral, e ainda está internado na unidade. "Ele queria falar sobre isso, mas ainda está muito fraco, com dificuldades de falar", diz a jovem, que levou quatro pontos na boca por causa das agressões. "Mas eu não sei o que aconteceu direito, eu acho que levei um soco na boca porque desmaiei", completa.

No dia seguinte, na terça-feira, Thaís ainda conta que foi a uma delegacia no bairro Floresta registrar um boletim de ocorrência sobre o ocorrido, mas ficou chocada com o tratamento da polícia. "O  tempo todo eles me desencorajaram a fazer o B.O., dizendo que não ia adiantar, que eles não iam conseguir fazer nada, mesmo que a gente conseguisse as imagens das câmeras, porque eles não trabalham com reconhecimento facial. Sem falar que eu fui até questionada sobre termos ingerido bebida alcoólica no dia, e eu falei que sim. Era Carnaval, nós estávamos nos divertindo, não cometemos nenhum crime. E isso acabou se tornando justificativa para legitimar a agressão que sofremos", relata.

Depois de muita insistência, ela conta que conseguiu fazer o registro. Jorge corre o risco de perder uma inscrição de mestrado por causa do ocorrido. "Ele passou em um mestrado em Campinas, mas precisa estar lá no dia 25 para fazer a inscrição. Não sei como ele vai neste estado, não sei como vai ser", diz Thaís.

A intenção da jovem é divulgar o crime para que o agressor possa ser identificado. "Na quinta-feira fui a delegacia de plantão do Barro Preto abrir um inquérito e pedir para que as imagens das câmeras de olho vivo fossem solicitadas. Mas a nossa esperança é que alguém tenha passado pelo local no dia e tenha visto alguma coisa, saiba quem é. As minhas lembranças sobre o dia são um pouco confusas, mas eu acredito que o bar que o suspeito estava seja um que fica na Amazonas com rua da Bahia, porque quando passamos as pessoas estavam bebendo em pé. O meu namorado acha que foi em um bar que fica um pouco mais perto do Parque Municipal, mas lá, as pessoas costumam beber sentadas", explica.

Segundo a Polícia Civil, a delegada que está com o caso, Cláudia Marra, já instaurou o inquérito para apurar o fato, que está sendo investigado como tentativa de homicídio. Ela confirmou que Thaís já foi ouvida na delegacia nessa quinta (19) e que todas as diligências policiais já foram feitas. A delegada aguarda a liberação de Jorge do hospital para que ele também possa ser ouvido. Já sobre a possível negligência da polícia, a corporação informou que houve realmente o registro do boletim de ocorrência na terça-feira. 

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