Italiano diz que Pizzolato corre risco de morte

Defensor dos direitos dos detentos enviou carta ao ministro da Justiça para tentar impedir extradição

iG Minas Gerais |

Pizzolato aguarda decisão do governo italiano sobre extradição
ALEXANDRO AULER
Pizzolato aguarda decisão do governo italiano sobre extradição

SÃO PAULO. O defensor dos direitos dos detentos da região italiana de Emilia-Romana, Desi Bruno, afirmou para o ministro italiano da Justiça, Andrea Orlando, que Henrique Pizzolato corre perigo de vida se voltar para o Brasil.

Condenado no processo do mensalão, Pizzolato fugiu para a Itália e agora aguarda a decisão do governo do país sobre sua extradição ao Brasil. A Justiça italiana decidiu por sua extradição, mas cabe ao Ministério da Justiça da Itália a decisão final.

Pizzolato está preso desde a decisão da Corte de Cassação por sua extradição, na semana passada. “Após o pronunciamento da Corte de Cassação, senti a necessidade de escrever rapidamente ao ministro manifestando minha preocupação pela vida de Pizzolato no caso de extradição”, disse Bruno à agência de notícias Ansa.

Atuando na região em que o ex-diretor do Banco do Brasil está preso, o defensor destacou que seu “papel de vigilância e de promoção dos direitos das pessoas detidas em âmbito regional faz com que tenha que reapresentar ao ministro da Justiça a situação de Pizzolato”.

Para Bruno, o condenado, que tem cidadania italiana, não quer escapar da prisão após sua condenação, “tanto que se entregou” à Justiça do país. Ele se entregou após a Corte decidir pela extradição. Antes, havia entrado no país com documentos falsos de seu irmão, que já morreu.

De acordo com o defensor, sua preocupação principal e de seus advogados é o “cenário de violência e morte imposto por detentos a outros presidiários”. Bruno diz que a concessão de extradição pode “expor o senhor Pizzolato a um concreto perigo de tratamentos desumanos e degradantes que podem levá-lo à morte”.

O argumento da violência nas prisões brasileiras já havia sido usado pela defesa de Pizzolato. O Brasil, por sua vez, admitiu que há problemas no sistema carcerário, mas garantiu que Pizzolato não vai correr risco ao cumprir a pena na Papuda.

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