Economista aconselha a fazer prestação em vez de poupar

Especialista alerta, no entanto, que é preciso programar o gasto para não ficar inadimplente

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Conselho. Como a poupança vem perdendo para a inflação, boa alternativa para pequenos poupadores é antecipar compras de bens
ALEXANDRE GUZANSHE – 18.4.2009
Conselho. Como a poupança vem perdendo para a inflação, boa alternativa para pequenos poupadores é antecipar compras de bens

Comprar em vez de poupar. A inusitada recomendação é do economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Márcio Lana, e é direcionada ao pequeno poupador, aquele que pode guardar cerca de R$ 100 por mês e está perdendo dinheiro na poupança. Em janeiro, o investimento mais popular do país já perdeu para a inflação – 0,59% de rendimento frente a 1,24% do IPCA, medida oficial para a variação dos preços – e a expectativa dos especialistas é que continue assim pelos próximos meses.

“O pequeno poupador não tem alternativa. O que ele pode fazer é antecipar alguma compra e pagar a prestação”, diz. Ele explica que se a pessoa quer uma geladeira que custa R$ 1.200 e pode pagar R$ 100 por mês, é melhor assumir a prestação. No cenário atual, com inflação alta e rendimento baixo, se a pessoa juntar os R$ 100 por mês, quando ele chegar a ter R$ 1.200, o produto já estará bem mais caro e seu dinheiro terá um rendimento muito menor. “O dinheiro está sendo corroído”, afirma. Lana ressalta, porém, que não se trata de incentivar o consumismo e, sim, de fazer uma dívida planejada e administrada. “A pessoa tem que fazer uma planilha para ver quanto pode pagar por mês e ter disciplina para não deixar atrasar”, alerta. Ele diz ainda que rolar a dívida no cartão de crédito é a pior alternativa que a pessoa pode escolher, porque os juros são muito altos. O diretor de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Roberto Vertamatti, concorda que o pequeno investidor está sem alternativas para garantir um rendimento real ao seu dinheiro, mas dá um conselho mais conservador. “Com a inflação alta, o pequeno investidor vai ter uma perda, mas, ainda assim, é melhor manter o dinheiro na poupança para, pelo menos, ter uma reserva em qualquer eventualidade”, afirma. Ele explica que, em tese, quem pode guardar acima de R$ 100 por mês já pode buscar um outro investimento de renda fixa mas, na prática, isso é difícil. “É preciso ter um conhecimento das aplicações e um relacionamento bancário, o que não é o caso da imensa maioria”, diz. Os dois especialistas apontam a simplicidade da poupança como uma das maiores vantagens da aplicação para a maioria da população. “As alternativas são sempre mais sofisticadas, o que acaba afastando o investidor comum”, diz Márcio Lana.

Imposto Isenta. A poupança é isenta de Imposto de Renda e outros tributos. Já as outras aplicações pagam 22,5% de IR se o resgate for em até seis meses, 17,5% em um ano e 15% a partir de dois anos.

Inflação e juros corroem rendimentos SÃO PAULO. Em janeiro, a caderneta de poupança rendeu 0,59% – bem abaixo do IPCA (índice oficial de inflação) de 1,24%, a maior taxa desde fevereiro de 2003. A tendência é que essa perda se se repita em boa parte do ano, até que os juros ou a inflação baixem. A previsão para 2015 é que a caderneta renda 7,44%. Já a projeção do mercado para o IPCA está hoje em 7,15%, mas tem subido semanalmente. No fim de 2014, a estimativa era 6,53% para este ano.

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