Ruivos têm mutação genética que eleva risco de melanoma

Cabelinhos de fogo’ naturais representam 2% da população e são mais suscetíveis a algumas doenças

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Proteção. Ruivos precisam evitar o excesso de exposição solar e passar protetor de fator no mínimo 30
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Proteção. Ruivos precisam evitar o excesso de exposição solar e passar protetor de fator no mínimo 30

Desde criança, a estudante Luiza Fontes, 20, diz que lembra dos alertas da mãe sobre os problemas e os prejuízos que a exposição ao sol poderiam causar na sua pele. Por fazer parte de uma parcela de até 2% da população mundial – os ruivos naturais –, ela possui gravada no DNA uma maior vulnerabilidade a algumas doenças, principalmente as de pele, e diz que acostumou a se proteger mesmo quando não há sol.

“Até quando saio à noite costumo passar (filtro solar) pelo menos no rosto. Também gosto de usar boné e óculos escuros. Apesar de amar o sol, eu evito a exposição durante os horários em que os dermatologistas desaconselham”, diz. Segundo a médica geneticista Mirlene Cernach, para que uma pessoa nasça ruiva, ela tem que carregar uma alteração no gene Melanocortina-1 (MC1R), um dos determinantes da cor do cabelo, mas também responsável por elevar a ocorrência de alguns tipos de câncer de pele, como o melanoma. “Devido à diminuição de pigmento na pele, os ruivos estão sujeitos às alterações causadas pelo sol, principalmente. Além da pele, o cabelo também é mais sensível, assim como os loiros, por terem pouco pigmento”, explica Mirlene. Um efeito colateral dessa variação genética dos ruivos é o surgimento de sardas, que são consequência do aumento de concentração de melanina em certas partes do corpo, principalmente rosto, ombros e colo. A técnica em segurança do trabalho Sthefane Cardoso, 22, possui várias sardas e, por isso, visita periodicamente o dermatologista para fazer um acompanhamento. “Procuro sempre me cuidar e, para prevenir qualquer doença de pele, uso filtro solar pelo menos duas vezes ao dia – pela manhã, antes de sair de casa, e renovo por volta de meio-dia”, diz. Já a jovem artesã Millena Silva Faion, 17, conta que ainda não se preocupa tanto com os riscos. “Evito muito o sol quando ando durante o dia e faço muita hidratação no cabelo, mas não me importo tanto no momento”, afirma. Parkinson. Quanto à maior probabilidade de desenvolver a doença de Parkinson, Mirlene explica que alguns estudos na literatura já mostraram uma associação significante entre os indivíduos com diminuição de pigmentos nos cabelos e na pele e a maior manifestação da doença de Parkinson. “Os ruivos seriam os que teriam maior risco, seguidos logo atrás pelos indivíduos loiros, mas não há comprovação dessa associação com outros estudos e nem mesmo uma justificativa para o fato”, afirma a médica geneticista do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.

Programação Evento. Belo Horizonte vai sediar o 1° encontro de ruivos naturais de Minas Gerais. Será no próximo dia 21, sábado, no Parque Municipal Américo Renée Giannetti, das 14h às 17h.

Mitos Acreditava-se que os  ruivos  teriam maior sensibilidade à dor e necessidade de maior quantidade de anestésicos para procedimentos cirúrgicos, mas estudos recentes não confirmam. Há algum tempo estudiosos disseram que os ruivos poderiam desaparecer da Terra, mas não há chance de extinção.

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