Cientistas revelam razão de usuário de maconha ter larica

Descoberta pode ajudar no tratamento de pacientes que têm perda de apetite

iG Minas Gerais | Da redação |



Mesmo saciado, usuário sente fome por conta de efeito de enzima
PABLO PORCIUNCULA
Mesmo saciado, usuário sente fome por conta de efeito de enzima

Um dos efeitos imediatos do uso da maconha é o aumento do apetite – fato que faz com que a erva seja “indicada” como tratamento para diversas doenças, como Aids e câncer. Cientistas descobriram os fatores que levam os usuários a ter a popular larica.

A fome incontrolável experimentada depois de fumar a maconha pode ser desencadeada por neurônios que, sem o efeito da droga, têm a função de suprimir o apetite; justamente o contrário. A pesquisa foi publicada nesta semana na revista “Nature”. Segundo explica o estudo, os cientistas utilizaram camundongos transgênicos para manipular a rota celular que produz a ação da maconha no cérebro. O coordenador da pesquisa, Tamas Horvath, compara o mecanismo que ocorre com os neurônios com um carro. “É como se pisássemos no freio, e o carro acelerasse em vez de parar”, disse o cientista. “O mecanismo central de alimentação do cérebro fica doido”, completa. Enzimas. Um grupo de células nervosas do cérebro – os neurônios conhecidos como POMC – são considerados fatores­chave na redução da fome. Quando a pessoa está saciada, esses neurônios normalmente liberam a enzima MSH, um sinal químico que alerta o cérebro. Porém, os cientistas observaram que, ao injetar canabinoides em ratos, a droga desativava as células que normalmente fazem os neurônios POMC diminuírem sua ação, e a atividade desses neurônios disparou. Ao mesmo tempo, os receptores de canabinoides foram ativados. O resultado foi a liberação de outra enzima, a beta­endorfina, conhecida por aumentar o apetite. Os dois efeitos combinados criaram o efeito de fome descontrolada. “Mesmo se a pessoa fumar maconha logo após o jantar, imediatamente esses neurônios tornam­se estimulantes da fome”, explicou o coordenador.

Dúvidas O estudo publicado nesta semana, no entanto, não desvendou completamente o mistério da fome incontrolável da maconha. Segundo o coordenador da pesquisa, outros processos neurais participam do fenômeno dentro do hipotálamo, e os canabinoides afetam outras partes do cérebro. 

Estudo pode ajudar doentes Além de explicar por que o usuário de maconha fica faminto quando não deveria, de acordo com o coordenador da pesquisa, Tamas Horvath, a descoberta poderá abrir caminho para outras investigações que ajudem pacientes de câncer e outras doenças que perdem o apetite durante o tratamento, por exemplo. Há muito tempo os cientistas sabem que o uso de maconha está associado a um apetite exagerado, mesmo quando o organismo não precisa de comida. Também já se sabia que o canabinoide – o princípio ativo da maconha – liga­se ao receptor de canabinoides (CB1R) das células cerebrais e que isso pode contribuir para a superalimentação. Novos estudos sobre esses efeitos ainda precisam ser realizados.

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