Até poste emperra duplicação

Falta de dinheiro é apenas um dos empecilhos para que obra prometida há décadas saia do papel

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Mais lento. 
Canteiro de obras em Caeté é um dos exemplos de intervenções em ritmo mais lento
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Mais lento. Canteiro de obras em Caeté é um dos exemplos de intervenções em ritmo mais lento

Não é só a falta de pagamento do governo federal que tem atrasado as obras da BR–381 (entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Rio Doce), chamada de Rodovia da Morte. Desapropriações, compensações ambientais e burocracias que deveriam ter sido sanadas antes da assinatura da ordem de serviço continuam no caminho da duplicação. Essa demora pode encarecer os trabalhos, já que as empresas estão com estrutura montada para a execução do empreendimento, mas não podem operar conforme previsto no cronograma.  

O Consórcio Brasil/Mota/Engesur, responsável pelos 37,5 km do lote 7 (entre Caeté e o rio Una), informou que, por enquanto, a empresa tem tido condições financeiras de operar sem os pagamentos do governo federal. Mas mesmo que os pagamentos tivessem sido efetuados, outros três fatores – que dependem de soluções por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) – prejudicam o andamento das obras.

Entraves. O primeiro deles são as desapropriações, ainda pela metade, segundo o consórcio – o número de famílias não foi informado. “Houve acordos, mas ainda há famílias para ser removidas”, afirmou o representante da Brasil/Mota/Engesur, Manuel Teixeira. Outro entrave são as autorizações ambientais para cortes de árvores, que comprometem entre 30% e 40% do trecho do lote 7. “Uma das condicionantes do Dnit é fazer compensações ambientais em uma área equivalente, o que ainda depende de acordo”, explicou.

Por fim, postes de energia elétrica que estão às margens da rodovia precisam ser realocados. Essa etapa também está sendo definida entre o Dnit e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

Impacto. Teixeira disse ainda que essa demora na liberação do trecho “impacta no bolso” da empresa e pode atrasar a entrega da obra. “Temos mobilização de mão de obra e equipamentos. Por enquanto, estamos arcando com tudo, mas todos esses fatores podem atrasar as obras”, completou. Pelo contrato, a duplicação do lote 7 deve ser concluída até meados de 2017.

O Dnit não comentou todos os problemas citados. Sobre as desapropriações, informou que o estágio atual é de cadastramento de famílias e que não é possível mensurar o número de remoções. Está prevista a transferência de famílias para unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, mas as obras nem começaram.

Pendência e equilíbrio financeiro

Variante. Outra obra esperada é a Variante do Rio Santa Bárbara (lotes 9 e 10), novo traçado que ligará São Gonçalo do Rio Abaixo a Nova Era, na região Central. A obra, estratégica por eliminar curvas no trecho mais perigoso, está em fase de criação de anteprojeto.

Duplicação.O Movimento Nova 381 espera que o governo cumpra a promessa de duplicar os lotes 1 e 2, de Valadares a Belo Oriente.

Asfalto.O aumento de 37% do preço do asfalto comprometeu o equilíbrio financeiro dos contratos, e o Dnit informou que os contratos afetados serão reequilibrados.

Acidentes

381. O trecho entre Belo Horizonte e João Monlevade é um dos mais perigosos. Os dados de acidentes de 2014, no entanto, só serão divulgados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em março.

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