Faixa diagonal entra em debate

Sistema de travessia adotado em São Paulo inspira projeto de lei apresentado na Câmara de BH

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira |

Exemplo. Faixa diagonal paulistana permite atravessar cruzamentos mais rapidamente
Robson Fernandjes/Fotos Públicas
Exemplo. Faixa diagonal paulistana permite atravessar cruzamentos mais rapidamente

Seguindo o modelo adotado na cidade de São Paulo e em países como Japão e Inglaterra, uma proposta apresentada na Câmara Municipal, em janeiro deste ano, visa implantar, em Belo Horizonte, o sistema de faixas de pedestre diagonais em cruzamentos. Elas funcionam como uma espécie de “X” e, em vez de os pedestres efetuarem a travessia em duas etapas – uma via por vez –, poderão fazer o trajeto em diagonal. Em São Paulo, o sistema já foi implantado em três cruzamentos, e houve uma redução de 62 segundos no tempo médio de travessia.

De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da capital paulista, o tempo médio de travessia em duas etapas é de 135 segundos. Agora, com as novas faixas, ele cai para 73 segundos. Na cidade, já foram inauguradas faixas nos cruzamentos entre as ruas Riachuelo e Cristóvão Colombo, entre as avenidas Ipiranga e São João e na rua Xavier de Toledo com o Viaduto do Chá, todas no centro de São Paulo. Em Belo Horizonte, o projeto de lei não explicita quais os cruzamentos devem ser modificados, apenas afirma que a escolha desses pontos será precedida de um estudo. De acordo com o engenheiro de transportes e trânsito Márcio Aguiar, isso é fundamental para que a mudança tenha bons resultados. A proposta ainda precisa tramitar na Câmara e passar pelas etapas de votação. “Essas faixas são muito eficientes e se tratam de uma melhoria. No entanto, é algo que não deve vir de uma iniciativa de lei. Tem que ser iniciativa técnica, avaliando se os pontos têm demanda para isso”, diz. O especialista afirma que é preciso considerar a geometria dos cruzamentos em Belo Horizonte, sempre observando pontos em que há grande circulação de pedestres. “A geometria ideal é a de cruzamentos entre duas grandes avenidas e por onde passa muita gente. A avenida Afonso Pena com a avenida Brasil é um ponto onde isso poderia funcionar. Mas tem que regular o tempo do semáforo e o tempo dos veículos”.

Saiba mais Objetivos. De acordo com a CET, em São Paulo, o principal objetivo da faixa na diagonal é facilitar o trajeto para o pedestre. Pesquisa. A pesquisa de contagem de travessia de pedestres em cruzamentos estimou o número de pessoas nos três horários de maior movimentação (manhã, entre picos e tarde). Foram 3.000, 4.400 e 6.800 pessoas por hora, respectivamente. Modelo. Também foram implantadas placas educativas, para informar a permissão da travessia na diagonal, e nova sinalização semafórica de pedestres.

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