Brian De Palma, a identidade do medo

Cine Humberto Mauro dedica sábado a cineasta

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

Clássico, “Carrie, A Estranha” rendeu indicação ao Oscar a Sissy Spacek
Fox / Divulgação
Clássico, “Carrie, A Estranha” rendeu indicação ao Oscar a Sissy Spacek

No cinema de Alfred Hitchcock, o suspense e o medo quase sempre vêm da identidade trocada – a ideia de que o protagonista é tomado por outra pessoa, mais violenta e criminosa que ele. Já nos filmes de Brian De Palma, assumidamente influenciado pelo mestre do suspense, o terror também advém de percepções distorcidas da identidade. Mas elas acontecem dentro do próprio personagem: é o protagonista que se debate entre a boa pessoa que ele acredita ser e o lado negro prestes a ebulir dentro dele. Esse traço pode ser conferido nos três filmes que o Cine Humberto Mauro exibe amanhã, dentro da mostra “O Fascínio do Medo”. O dia especialmente dedicado à obra de De Palma começa às 16h com “Irmãs Diabólicas”, segue às 18h com “Trágica Obsessão’, e se encerra às 20h com o clássico “Carrie, A Estranha” – uma tríade que fez do cineasta um dos ícones do suspense e terror nos anos 1970. Em “Irmãs Diabólicas”, primeiro sucesso da carreira do diretor, esse conflito de identidade é representado bem claramente nas duas irmãs siamesas do título. Vividas por Margot Kidder (“Superman”), elas passam a alimentar uma rivalidade nada saudável após serem separadas. “Trágica Obsessão”, por sua vez, é uma homenagem declarada do cineasta a Hitchcock. A trama reproduz a premissa de “Um Corpo que Cai”, com o protagonista obcecado por uma mulher idêntica à sua esposa falecida. Tanto o homem quanto a mulher, porém, são bem mais sombrios, e o resultado, bem mais sangrento do que o filme do mestre do suspense. Mas o grande clássico do dia é mesmo “Carrie, A Estranha”. Além de ter introduzido várias das marcas registradas do diretor, como o uso da tela dividida, o filme é o melhor exemplo dos protagonistas de De Palma que, perturbados pelo olhar alheio, voyeurístico e julgador, e por suas próprias identidades fragmentadas, respondem de forma violenta, resultando em um espetáculo de violência puramente cinematográfico. Para quem não conhece o trabalho do cineasta, é uma bela introdução. 

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