Diálogo entre patrimônios

1°Festival Internacional de Música Antiga de Diamantina promove concertos, cursos e oficinas a partir de hoje

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Programação.  João Vaz (PRT)
TELMA VERISSIMO / divulgação
Programação. João Vaz (PRT)

Depois de oito anos, o órgão Almeida e Silva / Lobo de Mesquita, localizado em Diamantina, teve sua restauração terminada em dezembro de 2013. O complexo processo levou profissionais de áreas distintas à cidade, que perceberam a importância de não apenas entregar o objeto em boas condições para a sociedade, mas também de promover ações que estabelecessem um diálogo com ela. Assim, nasceu o 1º Festival Internacional de Música Antiga de Diamantina, que começa hoje, em vários locais da cidade. “Compreendemos que é importante estabelecer um elo entre o patrimônio material (órgão) e o imaterial (música) e isso necessita um trabalho continuado. Começamos então a trabalhar em ações de formação de novos músicos na cidade e o festival é decorrente desse processo. Ajuda muito o fato de ser em Diamantina, uma cidade muito musical, que tem importantes orquestras e compositores. Assim, não estamos deslocando, ou forçando algo, mas sim reforçando uma identidade”, comenta a diretora executiva da Lira Cultura, empresa produtora do evento, A diretora foi uma das responsáveis pela programação juntamente com o doutor em ciências sociais pela Université Paris IV Marco Brescia. Ambos pensaram detalhadamente nos concertos, palestras, curso e até peças de teatro que fazem parte do escopo de atividades que segue até o dia 1 de março. “Houve uma preocupação para instaurar um diálogo entre as atrações e o órgão. Além disso, levamos em consideração os nomes de músicos iberos-italianos e seus repertório”, afirma Marcela. Seguindo essa premissa, foram escolhidos nomes nacionais como o cravista e maestro Bruno Procopio, a organista Elisa Freixo, o cantor lírico Luciano Botelhos; e os internacionais, Josep Borrás, da Espanha, Bruno Frost, França/Espanha, entre outros. Nesse arcabouço de grandes nomes da música, entrou também uma estrela do mundo cênico: a Cia. Navegantes, que traz uma apresentação com marionetes voltada para o público infantil. “É importante ter algo para crianças”, diz ela. Reforça ainda mais a ideia de aproximar as pessoas da cultura musical, conta Marcela, a abertura para manifestações locais, como berimbaus e toque de sinos. “O conceito de Música Antiga é algo histórico e ocidental, definido por músicas produzidas na Europa até meados do Barroco. Já as chamadas músicas dos povos, aí entram as de cultura negra, não fazem parte desse conceito, mesmo sendo mais antigas. Mas elas fazem parte da cultura regional da cidade e, por isso, compreendemos a necessidade de incluí-las”, explica. Na parte educacional, chama atenção o curso de órgão por ser tão pouco comum nos dias de hoje. “Não existe nenhum curso constante no Brasil de órgão. Nem em faculdade, nem em conservatório”, diz a diretora. O curso, que será ministrado por Marco Brescia, é uma forma de aproximar interessados do instrumento. “A ideia é quebrar essa visão de que o órgão é um instrumento impossível. Sabemos que é um processo lento e que não depende só de nós, mas com isso contribuimos com algo”, diz. A programação completa esta no site www.musicaantigadiamantina.com. Agenda O quê. 1°Festival Internacional de Música Antiga de Diamantina Quando. De hoje ao dia 1º de março Onde. Em vários locais de Diamantina Quando. Entrada franca 

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