Bandas se misturam na cena goiana

Grupos como Carne Doce e Luziluzia dialogam com os Boogarins e com representantes de diversos gêneros

iG Minas Gerais | lucas buzatti |

Casal. Carne Doce surgiu do romance entre Salma Jô (vocal) e Macloys Aquino (guitarra, de branco)
beatriz perini/divulgação
Casal. Carne Doce surgiu do romance entre Salma Jô (vocal) e Macloys Aquino (guitarra, de branco)

O guitarrista do Boogarins, Benke Ferraz, lembra que a aquecida cena de rock autoral de Goiânia ajudou a moldar a produção artística da banda. “Cara, a gente cresceu em meio a essa cultura alternativa da cidade. Estávamos sempre vendo bandas que nos inspiravam, que não ficavam presas nos seu ídolos, mas que criavam o seu próprio som”, defende. “Goiânia também tem banda cover, mas há uma cena autoral muito rica. São várias bandas que circularam o Brasil, como o Black Drawing Chalks, ou mesmo o Hellbenders, que já são nossos contemporâneos”, cita. Sobre os contemporâneos, Benke cita outros dois grupos cujos sons dialogam mais com o do Boogarins – rock psicodélico cantado em português, com pitadas tupiniquins. Na verdade, ele os chama de “bandas-irmãs”: o Luziluzia (que tem Benke Ferraz na guitarra e Raphael Vaz no baixo) e a Carne Doce (com João Victor Santana na guitarra e nos sintetizadores e Ricardo Machado na bateria, que desempenham as mesmas funções no Luziluzia). Mas as colaborações coletivas da cena goiana não param no rock’n’roll. Pelo contrário; rompem com barreiras de gêneros musicais, por diversos motivos, como explica Macloys Aquino, guitarrista da Carne Doce. “Com os Boogarins, gravamos uma música composta em conjunto, ‘Benzin’. Os Hellbenders, a melhor banda de stoner e metal de Goiás, são donos do estúdio onde gravamos nosso disco. Curtimos e fizemos vários shows juntos com a Shotgun Wives, que tocam folk de excelente qualidade. Gostamos da Bruna Mendez, que toca MPB. São bandas muito diferentes e próximas por motivos diferentes”, afirma o músico. Formada em 2013, a Carne Doce surgiu do encontro de Macloys Aquino com Salma Jô, sua esposa e vocalista da banda. “Salma e Macloys ficaram pela primeira vez num show na Hocus Pocus, inferninho de Goiânia. Logo passaram a morar juntos e a compor”, diz o material de divulgação da banda, cujo nome explica Macloys. “Quando chegamos nessas duas palavras gostamos da sonoridade, mas também nos encontramos no sentido, por denotar algo como ‘arisco-suave’, ‘agressivo-ameno’. O pequi é macio e achamos uma delícia, mas tem espinhos dentro”, afirma o músico, revelando que a banda deve vir a Belo Horizonte em abril. Ainda em 2013, o casal lançou o primeiro EP da Carne Doce, “Dos Namorados”. Um ano depois, surgiu o primeiro disco, homônimo, recebido com calor pela crítica musical, que logo cravou uma espécie de subgênero para explicar o som da banda: MPB psicodélica. “Quando gravamos ‘Dos Namorados’, foi mais caseiro e confessional. No início de 2014, vieram as influências do João Victor e do Ricardo Machado, que podem ter sido bastante responsáveis pelos elementos psicodélicos”, explica Macloys. Sobre a brasilidade que também marca o som da banda, o guitarrista afirma que são influências que vêm de berço. “Está na nossa condição de goianos. Somos de Goiás, foi lá que nos encontramos”, pontua. O guitarrista conta que o processo de composição parte das inspirações do próprio casal, que o divide em etapas. “As canções surgem com a Salma e eu. Ela escreve as letras, desenha a melodia do vocal, e eu faço as bases harmônicas. Ou então eu invento uma base e vem já com a letra e a melodia prontas. Então, pegamos as canções e levamos para o estúdio, pra banda digerir e dar cara à música”, afirma Macloys Aquino. “Não tem mais fácil ou mais difícil nisso, é a nossa condição”.

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