Psicodelia direto do cerrado

Goianos do Boogarins despontam como a banda sensação do rock brazuca e prometem o segundo disco para 2015

iG Minas Gerais | lucas buzatti |

Quarteto. Boogarins, da esquerda para a direita: Ynaiã Benthroldo(bateria), Benke Ferraz (guitarra), Fernando Almeida (vocal eguitarra) e Raphael Vaz (baixo)
Mídia Ninja
Quarteto. Boogarins, da esquerda para a direita: Ynaiã Benthroldo(bateria), Benke Ferraz (guitarra), Fernando Almeida (vocal eguitarra) e Raphael Vaz (baixo)

“Eu senti que estava diante de uma banda de rock de verdade, e não de um perfil de rede social”, diz o designer Lucas Sallum, 26, sobre o primeiro show da banda goiana Boogarins em Belo Horizonte. A apresentação, que aconteceu em novembro do ano passado, no festival Transborda, deixou o público absorto numa espécie de cumplicidade coletiva – um sentimento compartilhado de testemunhar os primeiros passos de um gigante.

Não é exagero dizer que o Boogarins é uma das bandas mais importantes da nova safra da música brasileira. Os números do grupo em 2014 provam isso: foram 141 shows, em 16 países da Europa, América do Sul e Estados Unidos. Importante lembrar que a banda surgiu em 2012, com integrantes que beiram os 20 e poucos anos, e têm só um álbum na bagagem – “Plantas que Curam”, onipresente nas listas de melhores de 2013.

A realidade da banda mudou muito desde que o guitarrista Benke Ferraz, 21, decidiu se encontrar, sempre aos domingos, com o amigo Fernando Almeida (vocalista e guitarrista), 22. “Fizemos o ensino médio juntos, em Goiânia. Quando entramos na faculdade, começamos a nos encontrar toda semana para gravar músicas”, conta Benke sobre o início da banda. Depois, com Raphael Vaz no baixo e Hans Castro na bateria, as canções ganharam vida e deram cria a “Plantas que Curam”.

O rock psicodélico – cantado em português, com inspiração sessentista e pitadas de brasilidade – logo caiu no gosto de Gordon Zacharias, atual empresário da banda. O norte-americano apresentou o disco ao selo Other Music, que decidiu lançá-lo nos Estados Unidos. Com isso, vieram convites para tocar no exterior, em festivais como South By Southwest, em Austin (EUA), e Primavera Sounds, em Barcelona, na Espanha.

Não demoraram a surgir comparações com bandas contemporâneas, como a australiana Tame Impala, com quem o grupo compartilhou o palco no festival Popload, em São Paulo. “O engraçado é que fizemos quase todas as músicas do disco antes de conhecermos o som do Tame Impala, que rapidamente se tornou uma das nossa bandas favoritas”, explica Benke, lembrando que a banda teve influências mais marcantes, como Júpiter Maçã, Mutantes, Jefferson Airplane e Pink Floyd. “Essas sim são coisas que escutamos a vida toda”.

Simplicidade. Benke conta que o Boogarins surgiu de forma despretensiosa, sem a intenção de entregar algo superproduzido e alçar o estrelato. “Nossa criação artística e até nossas referências têm a ver com essa despretensão. Você vê as letras, por exemplo, todas curtas, simples”, exemplifica. “É claro que muita coisa mudou. Hoje, estamos fazendo música de um jeito que nunca pensamos. Recebemos para isso, não precisamos manter empregos para tocar, temos uma agenda fixa de shows”, conta, com o característico erre puxado do sotaque goiano. “Mas, ao mesmo tempo, não mudou nada, sabe? Ensaiamos e saímos nos mesmos lugares, moramos com os nossos pais em Goiânia”, diz o guitarrista.

Durante a maratona de shows da turnê do primeiro álbum, o baterista Hans Castornou-se pai de gêmeas e teve que sair do grupo. Entrou Ynaiã Benthroldo, ex-Macaco Bong, que acrescentou força e experiência ao desempenho ao vivo. Mas, no palco, quem chama atenção mesmo é Fernando, o Dinho. O músico capta a atenção do público com sua voz quase feminina, enquanto sensualiza, faz caras e bocas, pula e empolga. “Digo que quem não gosta dele é má pessoa”, brinca Benke. “O Dinho é tímido, mas se transforma no palco, curte muito estar ali. É uma figura que cresceu bastante durante esse processo”, diz.

Para este ano, o Boogarins prepara o lançamento brasileiro de “Plantas que Curam”, que sairá no mês que vem, pelo selo StereoMono, da Skol Music. A novidade vem no segundo semestre, quando deve pintar o segundo disco da banda, gravado em Gijón, na Espanha. “É um disco que têm uma pegada ao vivo. Gravamos as bases todos juntos, no estúdio”, conta o guitarrista, que tranquiliza o público mineiro: “Temos um show marcado para BH, ainda no primeiro semestre. Espero que seja tão legal quanto o do Transborda, que a gente sempre lembra. Ele terminou numa jam maluca, com corda arrebentando. Energia boa”, conclui.

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