Regional restringe partos por suspeita de bactérias

Segundo pacientes e funcionários, orientação é que grávidas em situação de risco sejam levadas para outras unidades; três recém-nascidos estariam isolados

iG Minas Gerais | DAYSE RESENDE |

Devido à superlotação da neonatologia, bebês estariam ocupando um dos blocos obstétricos
Devido à superlotação da neonatologia, bebês estariam ocupando um dos blocos obstétricos

O surto da superbactéria KPC, que entre 2011 e 2013 causou 22 mortes no Hospital Regional, além da suspensão de novas internações, volta a deixar pacientes e funcionários amedrontados. Segundo um técnico em enfermagem, que pediu para não ser identificado, na unidade de saúde há a suspeita de que os micro-organismos tenham infectado crianças internadas até terça-feira (17), na neonatologia – localizada no quarto andar e considerada um dos setores mais complexos devido à baixa resistência dos internados.

De acordo com o funcionário, a contaminação teria ocorrido depois que um recém-nascido diagnosticado com a doença ficou internado alguns dias no setor. “Em função disso, três crianças das 33 internadas no local, que tem capacidade para até 17, estariam isoladas por precaução”. Ainda segundo o servidor, por causa da suspeita, a direção do hospital teria recomendado a restrição de partos.

“Não há nenhuma determinação oficial da direção do hospital, mas os pediatras chegam ao bloco obstétrico dizendo que a orientação é para que as grávidas em situação de risco sejam encaminhadas para outras maternidades, devido aos riscos de contaminação e à superlotação da neonatologia do Regional. Isso ocorre há cerca de dez dias, desde que uma criança que estava em tratamento no setor foi diagnosticada com KPC”, informou o técnico em enfermagem, ao ressaltar que todas as crianças passaram por uma análise microbiológica que teria acusado o crescimento de micro-organismos.

Ele denunciou, ainda, que funcionários do setor estariam sendo “obrigados” a cuidar dos recém-nascidos em situação de risco, mesmo não sendo capacitados para tal tarefa. “A situação é absurda. Um dos blocos obstétricos funciona provisoriamente como neonatologia. Há mais de 36 horas uma criança foi colocada em uma incubadora na sala de parto para ser cuidada por funcionários do setor. Isso não é correto. Ela tem que ser atendida por funcionários capacitados da neonatologia, onde ficam aqueles que precisam de cuidados especiais”. Quem viveu de perto o drama foi a dona de casa Thaís Gonçalves da Silva, 23. A prima dela, grávida de 39 semanas, ficou internada no Hospital Regional por cinco dias até ser liberada por um médico no domingo (15), devido aos riscos de contaminação. Sem saber que estava sendo gravado pela paciente, o médico diz que o berçário está com “alto potencial de infecção”.

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“Na sexta (13), a pediatra falou que minha prima ganharia a criança no sábado (14). Mas aí, no dia agendado, o plantonista falou que não seria possível fazer o parto porque a neonatologia estava sob suspeita de contaminação. No domingo (15), um outro médico optou pela alta. Ele quer que ela segure a gestação até a 41ª semana, mesmo com minha prima sentindo muita dor devido às contrações”, contou Thaís.

Resposta A prefeitura informou que o Hospital Regional encontra-se em pleno funcionamento e com pacientes internados em todos os setores. “Os partos estão sendo realizados normalmente”, disse. O Executivo ressaltou, ainda, que a informação repassada aos pacientes trata-se de um “boato infundado”.

 

Dois bebês morreram em 2012

Se a denúncia de funcionários e pacientes se confirmar, essa será a segunda vez em dois anos que a neonatologia é infectada por superbactérias. Em setembro de 2012, depois que os micro-organismos resistentes se alastraram para essa ala, enfermeiros da unidade chegaram a denunciar duas mortes de recém-nascidos.

Na época, segundo uma funcionária do hospital, um menino  e uma menina tiveram choque séptico, resultado de uma infecção generalizada no sangue. Outros quatro bebês, prematuros, foram isolados por precaução com suspeita de KPC e VRE, em novembro. Por conta da infecção, a maternidade foi fechada e passou por reformas.  

 

 

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