Segundo Copasa, 80% da água é utilizada para consumo caseiro

Nova direção da Companhia se reuniu com vereadores nesta quinta-feira, que pediram transparência e cobraram explicações sobre a crise hídrica

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Salvação. Águas do rio Paraopeba são consideradas fundamentais para reservatórios da capital
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Salvação. Águas do rio Paraopeba são consideradas fundamentais para reservatórios da capital

O racionamento em Minas Gerais é uma possibilidade real. A situação foi constada nesta quinta-feira (19) pelos vereadores que estiveram reunidos com a nova diretoria da Copasa para falar sobre a crise hídrica no Estado. Participaram da reunião integrantes da Mesa Diretoria e da Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana da Câmara Municipal de Belo Horizonte,  e a nova gestão da companhia, a diretora-presidente da Copasa Sinara Meireles Chenna, o vice Antônio Cesar Miranda Júnior e os diretores Técnico e de Novos Negócios, de Operação Metropolitana e de Gestão Corporativa. 

O motivo do encontro foi cobrar por respostas reais sobre a situação. Segundo o membro da Comissão de Meio Ambiente e requerente da visita, Tarcísio Caixeta (PT), apesar da crise já estar explícita e se agravando há vários meses, as informações sobre o esvaziamento dos reservatórios e as perspectivas de desabastecimento da região metropolitana da capital a curto, médio e longo prazo não estariam sendo adequadamente prestadas à população. O vereador também alegou a minimização do problema e a ausência de alertas por parte da companhia sobre a gravidade da situação em audiências públicas realizadas sobre o assunto no final do ano passado.

De acordo com a nova presidente da empresa, a redução do nível dos reservatórios se deu por causa do aumento do consumo e da escassez de chuvas nos últimos três anos. A companhia também alegou que, na verdade, 80% do consumo de água da Copasa parte da população, e não de indústrias do agronegócio e mineração como têm se falado, já que estes negócios teriam formas próprias de captação de água.

De acordo com as perspectivas da empresa, dentro de cerca de quatro meses deve haver o desabastecimento de água, que deve acarretar em racionamento e/ou rodízio do abastecimento. No entanto, para que sejam adotadas estas medidas, o Estado teria que solicitar um reconhecimento formal para que elas sejam aplicadas. Essa situação só poderia ser revertida, caso chovesse muito nos próprios meses, mas a empresa trabalha com a perspectiva de que isso não aconteça, já que em relação ao ano passado, a previsão é que chova menos em 2015.

Mais uma vez, foram apontadas falhas da gestão anterior, que não teria estabelecido ações de prevenção para reverter o comprometimento dos mananciais e a redução da vazão nos cursos d´água que abastecem a sistema.

Com o mote de que 80% da água da Copasa é utilizada para consumo doméstico, a empresa continua em campanha para que a população economize água e evite o desperdício. Pelo relatório, o Sistema Paraopeba, composto pelos reservatórios Serra Azul, Rio Manso e Vargem das Flores, que abastecem a região metropolitana, opera atualmente com 30% de sua capacidade. Dos três, o que apresenta a pior condição é o Sistema Serra Azul, que está com apenas 5,73% de seu volume; o sistema Vargem das Flores está com 28,31% e o sistema Rio Manso, 45,06%.

Medidas

Para amenizar os problemas gerados pela escassez hídrica nos lares da capital e região metropolitana, a Companhia anunciou medidas de combate a perdas e desperdícios no sistema e a realização de uma intervenção imediata, que captará água do Rio Paraopeba para o sistema Rio Manso, aumentando a disponibilidade do recurso.

Além disso, estão previstas adequações no sistema Serra Azul, permitindo o tratamento da água captada. Apesar da urgência, segundo os executivos, as obras emergenciais e campanhas de conscientização somente deverão estar concluídas e apresentar resultados em aproximadamente seis meses. Os projetos serão levados ao governo federal e à Agência Nacional das Águas (ANA), com vistas à obtenção de recursos.

Porém, se os índices pluviométricos continuarem baixos e não houver redução no consumo, a presidente explicou que a Copasa deverá solicitar junto ao Instituto Mineiro de Gestão das Aguas (IGAM) e à Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Agua e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (ARSAE-MG) o reconhecimento formal da situação de escassez hídrica no estado possibilitando a aplicação, em último caso, de medidas como racionamento, rodízio, sobretaxas ou multas ao consumidor por volume excedido.

Acompanhamento

O presidente da Casa, Wellington Magalhães (PTN), ressaltou que a população já “não aguenta mais” arcar com aumentos de tarifas e multas e reforçou a necessidade de esclarecer devidamente o cidadão sobre a situação e os planos da Companhia, o que poderá ser feito na audiência pública que debaterá a questão no próximo dia 26 deste mês.

O secretário-geral da Casa, Coronel Piccinini (PSB), sugeriu a oferta de incentivos e descontos ao consumidor que economizar mais, descartado pela Copasa sob a alegação de que a medida, adotada em São Paulo, não obteve resultados. O 2º secretário Pelé do Vôlei (PTdoB) e os vereadores Adriano Ventura (PT), Veré da Farmácia (PTdoB), Juninho Los Hermanos (SD) e Juliano Lopes (SD) também reforçaram a importância de se rever os padrões de utilização de recursos hídricos pelos grandes consumidores, incentivando seu melhor aproveitamento e reuso.

A presidente da Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana, Elaine Matozinhos (PTB), sugeriu o aproveitamento de minas d’água, como a que está localizada no terreno da Câmara Municipal.

Para os parlamentares, trata-se de uma “corrida contra o tempo”, já que os procedimentos de projeto, licitação e execução das intervenções podem demorar mais do que o tempo previsto para o esgotamento dos reservatórios, exigindo a máxima celeridade. 

Procurada pela reportagem, a assessoria da Copasa informou que a reunião desta quinta-feira foi "de praxe" e que a empresa não irá falar com a imprensa sobre o assunto. 

Com informações da assessoria de comunicação da Câmara Municipal de Belo Horizonte.