Francês vítima de atos racistas pede prisão a torcedores do Chelsea

Souleymane S. de 33 anos revelou ao jornal Le Parisien que chegou a confrontar as pessoas que o impediram de entrar no metrô em Paris

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Homem negro tentou entrar no trem, e foi empurrado por torcedores do Chelsea
Youtube/Reprodução
Homem negro tentou entrar no trem, e foi empurrado por torcedores do Chelsea

Em entrevista ao jornal francês "Le Parisien" publicada nesta quinta-feira (19), Souleymane S., 33, vítima de atos racistas de torcedores do Chelsea na última terça-feira (17), quando foi impedido de entrar no metrô, disse que prestará queixa à polícia nesta quinta. O parisiense que hoje mora em Val d'Oise com sua mulher e três filhos disse ainda que recorrerá a associações antirracistas e que os torcedores devem ser "encontrados, punidos e presos".

Encontrado pelo jornal na mesma estação de metrô em que foi barrado pelos torcedores, Souleymane disse que não sabia que havia sido filmado nem que o vídeo do momento do ato racista tem repercutido mundialmente. Ele perdeu o celular durante o episódio.

"Eu tentei forçar a passagem, e então tentei de novo. No empurra-empurra, perdi meu celular. Eles me diziam expressões em inglês, mas eu não entendia qual era o sentido daquilo. Eu não falo uma palavra de inglês. Eu entendi que eram torcedores do Chelsea e associei à partida contra o PSG. Eu também entendi que eles estavam pegando no pé por causa da cor na minha pele. Sabe, eu vivo com o racismo, eu não estava de fato surpreso com tudo aquilo, mesmo que tenha sido a primeira vez no metrô", disse.

"Fiquei muito tempo confrontando os torcedores. Uma pessoa veio em seguida e me disse que fui muito corajoso de resistir a pessoas como aquelas. Nenhum usuário me defendeu, mas o que eles poderiam fazer? Em seguida, o metrô partiu e eu peguei o próximo. Cheguei em casa e não contei a história para meus filhos nem para minha esposa. Vocês são as primeiras pessoas com que falo sobre isso. O que eu poderia dizer a meus filhos? Que o papai foi hostilizado no metrô porque ele é negro? Não serviria para nada", completou.

Tendo conhecimento do vídeo e de sua repercussão por meio do "Le Parisien", Souleymane manifestou vontade de prestar queixa à polícia.

"Eu não sabia que havia sido filmado. Falar sobre isso me dá coragem de prestar queixa à polícia. Vou tentar fazer isso amanhã (nesta quinta-feira), se tiver tempo, porque eu tenho um trabalho... De toda forma, quero recorrer a associações antirracistas. Essas pessoas, esses torcedores ingleses, devem ser encontrados, punidos, e devem ser presos. O que aconteceu não deve ficar impune", concluiu.

A Justiça francesa e a Scotland Yard, a polícia britânica, iniciaram as investigações sobre o caso. No vídeo publicado pelo jornal inglês "The Guardian", um pequeno grupo de torcedores impede a entrada de um homem negro no metrô e canta "nós somos racistas, nós somos racistas, e é essa a maneira que gostamos".

A cena aconteceu antes do empate por 1 a 1 entre Paris Saint-Germain e Chelsea, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa.

Em nota oficial, o clube inglês condenou o episódio de racismo e prometeu banir torcedores caso seja comprovado o envolvimento no caso.

"Tal comportamento é abominável e não tem lugar no futebol ou na sociedade. Nós vamos apoiar qualquer ação criminal contra os envolvidos neste comportamento".

"Em caso de prova do envolvimento de compradores de ingressos ou membros do Chelsea, o clube terá a mais forte possível ação contra eles, incluindo ordens de banimento", completou.

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