Remoção de famílias da Vila Itaim depende do Daee, diz Haddad

Para evitar as inundações na região, o governo paulista e a prefeitura assinaram um convênio em 2013 para a realização de obras anti-enchentes

iG Minas Gerais | Folhapress |

Haddad diz que paralisação de ônibus em São Paulo é 'injustificável'
MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL
Haddad diz que paralisação de ônibus em São Paulo é 'injustificável'

O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que a remoção das famílias do bairro Vila Itaim, na zona leste, depende do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica de SP).

Os moradores da Vila Itaim são uns dos mais afetados pelas enchentes durante o período de chuvas no verão. Há dois dias, os moradores estão com suas casas e ruas inundadas. Em 2009, as ruas do bairro ficaram alagas por várias semanas.

Para evitar as inundações na região, o governo paulista e a prefeitura assinaram um convênio em 2013 para a realização de obras anti-enchentes. Pelo acordo, o governo estadual vai construir um sistema de drenagem formado por pôlder, estrutura para conter enchentes, com reservatório, bombas de sucção e rede de microdrenagem.

Haddad diz que a prefeitura espera há mais de um ano e meio a publicação do edital da obra na área e que a remoção das famílias só pode ser realizada após a construtora iniciar o canteiro de obra.

"Sem licitação da obra não há como remover as famílias sob pena de que as famílias reocupam a área depois da desocupação. É preciso que a remoção aconteça quando a construtora contrata iniciar o canteiro de obras", disse Haddad.

O prefeito disse ainda que já foi assinado o termo de compensação ambiental e que o Daee presta um desserviço ao culpar as famílias. "Daee transmite informação equivocada. Acho um desrespeito que estão fazendo. Já cobramos várias vezes para que o edital seja publicado e eles não publicam. Sem edital não há construtora nem projeto executivo nem como remover as famílias".

A reportagem entrou em contato com o Daee, mas não obteve retorno até a publicação.

DRENAGEM DA ÁGUA

A prefeitura começou nesta quinta (19) a utilizar bombas para sugar a água parada nas ruas. Contudo, o equipamento usado para escoar a água acumulada não tem capacidade para todo o volume.

Os moradores estão preocupado com as infecções por conta da água. "A água da chuva se mistura com a do bueiro e dá muita doença", diz o supervisor de corte Edmar Prado, 30. Ele diz que os vizinhos já pegaram leptospirose e manchas na pele por causa da água suja. Com isso, a prefeitura começou a distribuir nesta quinta cloro para que as pessoas usem na limpeza das casas e de partes do corpo.

A Secretaria de Assistência Social já ofereceu abrigo aos atingidos, mas nenhum quis ir. De acordo com a prefeitura, a estimativa é de que as enchentes tenham afetado ao menos 300 famílias que moram na região. Segundo a Defesa Civil, foram inundadas 320 casas.

De acordo com a prefeitura, os moradores podem pedir isenção do pagamento do próximo IPTU. A diarista Patrícia Araújo, 33, deverá solicitar -ela paga R$ 1.036 ao ano.

Araújo perdeu dias de trabalho por causa da inundação em sua casa. Ela relata ter passado duas noites sem dormir e, durante o dia, fica em casa para tirar a água.

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