Questão do Mineirão vai continuar rendendo

iG Minas Gerais |

Com o horário do jogo, impossível escrever hoje sobre Colo-Colo x Galo. Então, obrigado ao deputado Alencar da Silveira Junior que, em atenção a questionamentos que fiz a ele na coluna passada, nos respondeu. Agradeço também ao leitor Vicente Gomes Pinto Coelho, que escreveu para mim fazendo algumas pertinentes perguntas. Primeiro, o e-mail do Vicente, e, depois, a resposta do deputado Alencar, ambas na íntegra: “A respeito do Alencar Silveira Jr., mal-informado sobre o contrato do governo mineiro com a Minas Arena, que tem garantias – pelo menos, de não arcar com perdas – enquanto os verdadeiros artistas, donos do espetáculo (clubes) ficam a ver navios. Como sempre, o cidadão paga: como sócio-torcedor do Cruzeiro, que usa o Mineirão e paga, quando é preciso, para evitar prejuízos à Minas Arena. Por que Cruzeiro e Atlético não tentam construir seus estádios? Por que o contrato com a Minas Arena é interessante para o Cruzeiro, e não é para o Atlético nem para o América? Qual é a verdade?” Abraços. Vicente Gomes Pinto Coelho, de Rio Casca. Deputado Alencar responde. “Caro Chico Maia, como estou viajando, recebi por WhatsApp de alguns amigos essa sua publicação. Quero dizer que não havia assinado antes pela CPI por saber que queriam fazer uso eleitoreiro dela. Em meus 27 anos de vida pública, cumprindo agora meu oitavo mandato, aprendi que CPI, em ano eleitoral, é só para alguns se promoverem politicamente, e não posso compactuar com isso. Em relação aos preços cobrados pela Minas Arena, nunca fiquei sabendo. No América, as negociações eram feitas pelo Marcus Salum e Alexandre Faria. Depois de negociado, nós, do conselho, aprovávamos ou não. Agora, como estive à frente da negociação, me espantei com os preços cobrados”. Continua o deputado “Por isso, vou fazer essa reunião conjunta com as Comissões de Defesa do Consumidor e esportes, com a participação dos três clubes da Capital, Ministério Público, Governo de Minas, Minas Arena e deputados. Quem está pagando esses altos custos é o torcedor mineiro, e isso não pode continuar acontecendo. Respeito todos os comentários aqui postados, agradeço as mensagens de apoio e coloco meu mandato à disposição de todos. Afinal, foram quase 80 mil votos nas últimas eleições, sendo um dos poucos eleitos que tiveram crescimento na votação. E isso, graças também a ajuda dos torcedores americanos que me deram 10 mil votos”. Alencar conclui “Para finalizar, gostaria de dizer com continuo sendo seu admirador e da sua coluna. Um abraço amigo a todos, e espero que continuem sendo bons inquilinos. Alencar”.

Divergência continua O Alencar é um democrata e sempre gentil, mas vamos continuar divergindo em relação à omissão da nossa Assembleia Legislativa no absurdo que foi feito com os clubes mineiros neste caso do edital que os impediu até de concorrer na licitação que entregou o Mineirão às empreiteiras. Licitação esta que teve apenas um concorrente, diga-se, que posteriormente foi denominado Consórcio Minas Arena. Persuasão Já escrevi muito sobre essa situação, desde o começo, quando o então governador, Aécio Neves, disse que entregaria a administração do estádio para Atlético, Cruzeiro e América, depois de reformado. Com esse argumento e com as suas ligações pessoais e políticas com os presidentes da época (Ziza Valadares, do Galo) e (Zezé Perrella, da Raposa) na época, convenceu aos clubes que seria bom para todos e os dissuadiu da ideia de construir os seus próprios estádios.

Como era Para jogar no Mineirão, os clubes sempre deixavam parte da arrecadação para a Ademg, 10%, o que era justo, porém, com o fim da autarquia e com o estádio privatizado, os novos donos ficariam com a parte do leão, em torno de 70% da renda e quase 100% do que é comercializado lá, aluguéis e estacionamento. Isso só mudou a partir da final da Libertadores de 2013. As razões E a situação é essa porque os clubes não se uniram para enfrentar o que foi imposto a eles. Antes, porque não tiveram interesse: Ziza Valadares virou diretor da Copasa, Zezé Perrella foi apadrinhado pelo Aécio para se tornar primeiro suplente de senador na chapa do Itamar Franco. Quando Kalil e Gilvan se tornaram os comandantes da dupla poderosa, poderia ter havido essa união. Se peitassem, juntos, o consórcio Minas Arena não teria outra alternativa e renegociaria valores, mesmo porque tinha a garantia de “não prejuízo”, prevista no edital de licitação. Nova discórdia Mas aí veio o episódio Independência e a paixão entre atleticanos e cruzeirenses entrou em campo, inviabilizando uma união comercial que seria excelente para os dois lados. Caso peitassem os donos do Mineirão, ameaçando juntos, jogar lá só os jogos exigidos pela CBF e Conmebol, o Minas Arena teria que sentar para novas negociações. No dia 1° de agosto de 2013, entrei em alguns detalhes deste famoso edital de licitação do Mineirão, em minha coluna no jornal O TEMPO, que sugiro a releitura: http://www.otempo.com.br/opini%C3%A3o/chico-maia/kalil-x-mineir%C3%A3o-1.689666

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