Próximos passos

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A percepção do crescimento do Carnaval de Belo Horizonte como um fenômeno ligado a um novo entendimento sobre a relação do morador com a cidade e com as ocupações do espaço público confere uma particularidade ao evento na cidade. Muitos dos blocos hoje responsáveis por levar milhares de pessoas às ruas estão ligados direta ou indiretamente a movimentos políticos independentes surgidos nos últimos anos. A festa acabou sendo, em grande parte, resultado espontâneo das atividades, mobilizações e lutas, quase sempre solitárias, desses grupos por um melhor uso dos aparelhos e áreas urbanas. Esse contexto ajuda a entender uma certa resistência, um pé atrás, de muitos organizadores de blocos diante da ação da prefeitura de querer institucionalizar a folia e, claro, também lucrar com ela. No entanto, após a festa ganhar proporções de megaevento – nas palavras do presidente da Belotur, Mauro Werkema, superior à Copa do Mundo na cidade em relação ao público –, há um consenso sobre a necessidade de se rever a organização e o próprio tamanho da festa. Todos os atores envolvidos reconhecem uma evolução de estrutura entre o Carnaval de 2014 e o de 2015. Havia mais banheiros, barracas e policiamento. Mesmo assim, ainda foi pouco. A multidão nas ruas durante os quatro dias, superior a 1 milhão de pessoas, esbarrou em limitações do poder público e também dos próprios blocos. Em razão dessas falhas e de olho em 2016, a Belotur, como adiantou O TEMPO na edição de ontem, deverá apresentar ao prefeito Marcio Lacerda um pacote com novas diretrizes para a realização do Carnaval da cidade. A ação, inclusive, é reclamada pela maioria dos blocos. Muitos deles, por exemplo, querem mais ruas fechadas no trajeto carnavalesco, com proibição de estacionamento de veículos, para maior mobilidade dos foliões. Outra cobrança é sobre a transparência nos gastos com o dinheiro arrecadado para a festa pelo município via patrocinadores. Pelo lado dos blocos, eles têm todo o direito e legitimidade de reivindicar o protagonismo da festa, mas não há mais como querer isolar o poder público da organização em um evento desse porte. Levar 30 mil, 40 mil, 50 mil pessoas para uma avenida sem o conhecimento ou aviso prévio a órgãos como a Polícia Militar e a BHTrans é inviável e perigoso. Também têm de ser discutidas questões como os próprios carros de som. Eles estão insuficientes (um por bloco, geralmente) para tanta gente. Enfim, se o Carnaval de Belo Horizonte vai continuar crescendo – e tudo indica isso –, é hora de bom senso e organização com muita antecedência.

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