Novo tratamento contra Aids

O composto eCD4-Ig oferece proteção surpreendente, dizem cientistas

iG Minas Gerais |

Avançado. Para o efeito prolongado, o eCD4-Ig foi associado a um vírus adeno-associado, inofensivo, mas capaz de introduzir-se nas células
NIH / DIVULGACAO
Avançado. Para o efeito prolongado, o eCD4-Ig foi associado a um vírus adeno-associado, inofensivo, mas capaz de introduzir-se nas células

Paris, França. Uma substância de combate à Aids desenvolvida por uma equipe norte-americana se mostrou eficaz durante vários meses nos macacos, abrindo a perspectiva de um tratamento de efeito prolongado contra o HIV, anunciou ontem a revista “Nature”.

“Desenvolvemos um inibidor muito poderoso e de espectro muito amplo que atua sobre o HIV-1, ou seja, o principal vírus da Aids presente no mundo”, explicou Michel Farzan, um dos cientistas que coordenou os experimentos.

A substância desenvolvida é fruto de vários anos de pesquisa realizada principalmente pelo Scripps Research Institute, um centro de pesquisa sem fins lucrativos com sede na Flórida e financiado pelo instituto público de pesquisa norte-americano especializado em doenças infecciosas Niaid.

Esse composto denominado eCD4-Ig oferece uma “proteção muito, muito forte” contra o HIV, explicou Farzan, com base em um experimento realizado com macacos e apresentado na revista científica britânica “Nature”.

O teste realizado com macacos mostrou que a substância, injetada apenas uma vez, era capaz de proteger durante ao menos oito meses do equivalente da Aids para os macacos.

Para garantir o efeito prolongado, o eCD4-Ig foi associado a um vírus de tipo adeno-associado (AAV), inofensivo, mas capaz de introduzir-se nas células e fazer com que produzam indefinidamente a proteína protetora capaz de criar um efeito antiAids de longa duração.

Após o tratamento com o coquetel, os macacos foram submetidos a doses da versão símia da Aids (SHIV-AD8). Nenhum animal desenvolveu a infecção, ao contrário dos macacos não tratados com eCD4-Ig e utilizados como grupo de controle.

Novos testes. Os resultados publicados ontem mostram uma proteção eficaz durante pelo menos 34 semanas, ainda na presença de doses de SHIV quatro vezes superiores às que foram suficientes para infectar os macacos do grupo de controle.

O experimento será apresentado durante uma grande conferência anual em Seattle (Estados Unidos) na próxima semana.

“Demonstraremos que esses macacos continuam protegidos contra doses de 8 a 16 vezes superiores à dose infecciosa, mais de um ano depois do tratamento”, afirmou Farzan.

“Certamente precisamos de novos estudos, tanto nos macacos como nos seres humanos, antes da possibilidade de testes em grande escala”, insistiu Farzan.

Histórico Desde 1981, quase 78 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus HIV, que destrói as células do sistema imunológico e deixa o corpo exposto a tuberculose, pneumonia e a outras doenças. Cerca de 39 milhões de pessoas morreram vítimas da doença, segundo estimativas da ONU. Os antirretrovirais criados da década de 1990 podem tratar a infecção, mas não conseguem curá-la nem prevenir a doença. O tratamento é para a vida toda e tem efeitos colaterais.

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