Blocos ‘antecipam’ a conversa

Organizadores defendem que planejamento não pode ser feito em cima da hora como foi neste ano

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Sonorização. O maior problema desse Carnaval foi o som, pois em blocos lotados, como o Entao Brilha!, quem está mais afastado do carro não consegue ouvir
mariela guimarães - 14.2.2015
Sonorização. O maior problema desse Carnaval foi o som, pois em blocos lotados, como o Entao Brilha!, quem está mais afastado do carro não consegue ouvir

E lá se foi a festa... Só daqui um ano Belo Horizonte será novamente tomada pela irreverência. Para os foliões será uma longa espera, mas já é hora de os organizadores dos blocos e o poder público avaliarem os altos e baixos desse Carnaval histórico e se programarem para que avance mais em 2016, afinal, o belo-horizontino e outros tantos simpatizantes têm muitas razões para “bater ponto” por aqui.

“Carnaval em casa, bom desse jeito, é a melhor coisa. Nem precisa pegar estrada”, ressaltou a funcionária pública Juliana Campos, 38. A capital mineira abraçou o folia e soube curtir, mas há muito o que se fazer para melhorar a festa. A reportagem conversou com organizadores de quatro blocos que arrastaram multidões para mostrar onde é necessário intervir.

Todos defendem um planejamento com mais antecedência, pois neste ano começou apenas dois meses antes do Carnaval. “Tem que iniciar a conversa cedo. Nós e o público não vamos carregar o ônus pelas coisas que deram erradas”, disse a coordenadora do bloco Baianas Ozadas, Renata Chamilet, que reuniu 100 mil pessoas, batendo recorde. Nos quatro dias, a capital viu 1 milhão de foliões nas ruas, mas faltou espaço para tanta gente.

Alguns organizadores acreditam que o próximo passo é ter uma legislação especial para o período. “Montar uma comissão permanente de Carnaval, voltada para quem tem interesse nisso, é uma forma de dar transparência ao que está sendo feito”, disse o fundador do Unidos do Samba do Queixinho, Gustavo Caetano. No geral, eles reconhecem que a Belotur deu um passo à frente neste ano, mas ainda assim foi surpreendida com o público. “Precisamos melhorar o diálogo para a prefeitura entender o que cada bloco precisa, porque o Carnaval é um movimento espontâneo popular”, explicou o organizador regente do Então Brilha!, Di Souza. Nesta quarta, o presidente da Belotur, Mauro Werkema, adiantou a O TEMPO que um relatório com os problemas detectados será entregue ao prefeito Marcio Lacerda para garantir um maior planejamento.

Trânsito

Operações. A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) informou que as ações foram efetuadas, na maioria, conforme o previsto, mas o número de foliões além do esperado obrigou a realização de adequações.

Quem fez a folia Os organizadores dos blocos podem ser chamados de “voluntários do Carnaval de Belô”, porque começarão, já no mês que vem, a ensaiar a festa de 2016. “É tudo feito de uma forma muito passional, porque queremos uma festa linda e que todos saiam felizes. Este ano demos um passo pra frente. O público participou mais, ficaram orgulhosos de ter Carnaval na cidade”, destacou Renata Chamilet. E é com sacrifício o ano inteiro que eles colocam os blocos nas ruas. “Nossa preocupação é que o Carnaval não se perca, não vire comércio. A prefeitura tenta se apropriar do Carnaval, colocando a marca dela. A gente não está contra a prefeitura, porque o diálogo com tem que existir por uma questão de segurança”, destacou Di Souza.

Som é desafio O som dos blocos que lotaram não conseguia alcançar todos os foliões. Para os organizadores, esse é o maior desafio para o Carnaval. “Qualquer sonorização, com 500 pessoas batucando atrás, vai ser baixa. Não queremos um trio elétrico, então não acho que será uma solução fácil”, destacou Renata Chamilet. Já o regente do Então Brilha!, Di Souza, acredita que falta mercado para isso na capital. “Não temos muitas opções na cidade, mas com certeza precisamos de algo mais potente porque o público aumentou muito”, explicou. O regente do Tchanzinho da Zona Norte, Rodrigo Picolé, disse que falta verba para arcar com estruturas melhores. “No ano passado tínhamos só uma caixa de som, neste ano foi um carro. É o melhor que conseguimos arcar”.

Nota da folia em BH 10 “Qual a nota você dá para o Carnaval de Belo Horizonte?”. O portal O TEMPO colocou essa enquete no ar nesta quarta, e a maioria entre as 1.822 pessoas que responderam à pergunta, 31% do total, deu nota 10. Mais de 180 pessoas, o que representa um universo de 10% dos participantes da enquete, responderam que a folia na capital mineira merece nota 9, e 17% dos que votaram, um total de 325 pessoas, avaliaram o Carnaval em BH com a nota 8.

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