Blitz da Lei Seca sumiu na folia

Foliões relatam que abordagens diminuíram; nas ruas, reportagem fez a mesma constatação

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

Operações. 
Moradores do bairro Santa Tereza elogiaram ação da Polícia Militar durante o Carnaval
JOAO GODINHO/ O TEMPO
Operações. Moradores do bairro Santa Tereza elogiaram ação da Polícia Militar durante o Carnaval

O Carnaval de Belo Horizonte cresceu, a festa foi boa, mas as blitze da Lei Seca sumiram das regiões de onde saiu o maior número de blocos. Nos quatro dias de folia, a reportagem percorreu os bairros de Santa Tereza, Santa Efigênia, Funcionários, o centro e não encontrou nem sinal da fiscalização. Foliões também perceberam a falta das operações especiais para flagrar motoristas embriagados. A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) informou que a fiscalização existiu, mas não divulgou balanço com o número de abordagens e pessoas multadas.

Mais de 1 milhão de pessoas saíram pelas ruas da capital na folia, muitas delas de carro, e bebida foi o que não faltou. Em um ambiente como esse, a expectativa era de uma presença mais efetiva das ações da campanha “Sou pela Vida, Dirijo Sem Bebida”, o que não se confirmou.

Morador do bairro Coração Eucarístico, na região Noroeste, o administrador de empresas Ciro Freitas, 29, curtiu todos os dias de folia indo para a região da Savassi. Com medo da fiscalização, optou pelo táxi, mas, no caminho, nada de blitze. “Durante o trajeto de casa para os blocos, não vi nada”, contou.

Em seu grupo de amigos, a única notícia de blitze da Lei Seca foi bem longe da área carnavalesca. “Fui avisado de uma blitz com bafômetro na avenida Barão Homem de Melo, mas só essa”, contou.

Já um empresário de 29 anos que pediu anonimato usou o carro para ir para a folia. Ele sempre utiliza aplicativos de celular para ser avisado sobre possíveis blitze e conta que a frequência da fiscalização caiu. “Foi nítida a redução nos últimos meses. A fiscalização não é a mesma”, disse. Morador de Nova Lima, ele curtiu a folia em Belo Horizonte, consumiu bebida alcoólica e diz que passou apenas por uma blitz durante todo o Carnaval, na MG–030, na barreira policial, mas não era uma ação específica da Lei Seca.

No perfil do Twitter da “Sou pela Vida, Dirijo Sem Bebida”, o último balanço divulgado foi da ação de quinta-feira passada. Durante os quatro dias de festas não houve atualização. Os dados do perfil com as ações neste mês mostram que o número de motoristas embriagados abordados está em queda vertiginosa. Nos primeiros 12 dias de fevereiro, apenas 11 multas foram aplicadas por dirigir sob influência de álcool, sendo que em três desses casos, o motorista foi enquadrado em crime de trânsito, quando o resultado do bafômetro supera 0,34 miligramas de álcool por ar expelido. A média é menor que uma multa por dia. Em fevereiro do ano passado, foram 83 multas em 28 dias. Uma média de quase três motoristas flagrados por dia.

A Seds informou, em nota, que “o combate à embriaguez ao volante neste Carnaval em Minas Gerais está sendo feito com todo o rigor pela Polícia Militar por meio de abordagens sistemáticas nas estradas do Estado e nas vias das cidades”. A reportagem tentou contato com o telefone de plantão do órgão para outros esclarecimentos, mas ele estava desligado.

Aprovado

Moradores do bairro Santa Tereza, na região Leste da capital, aprovaram o Carnaval no bairro. Primeiro secretário da Associação Comunitária de Santa Tereza, Pedro Martins afirma que não houve danos ao patrimônio e que os moradores consideram a infraestrutura ofertada satisfatória. “A polícia foi elogiada pela comunidade. As abordagens foram tranquilas, e o apoio da BHTrans também foi satisfatório”.

Trânsito

O principal problema no bairro, segundo a Associação Comunitária de Santa Tereza, foi o grande número de carros, sobrecarregando as vias do bairro, dificultando a circulação e ainda bloqueando algumas garagens. “Queremos que no ano que vem haja um cadastro dos moradores para que só eles tenham acesso às vias do bairro. Há várias alternativas de transporte público aqui”, afirmou Pedro Martins.

Limpeza

A limpeza das ruas após a festa foi um dos pontos positivos no Carnaval de Belo Horizonte. Equipes da SLU trabalharam de madrugada para, de manhã, já entregar a cidade limpa aos foliões e moradores. O volume de lixo triplicou neste ano, mas, segundo a SLU, se os foliões tivessem usado as 1.600 lixeiras e os 300 locais de coleta de lixo reciclável, todo o lixo gerado nos eventos ficaria acondicionado.

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