Múltiplas linguagens em cena

Espetáculo “O Urro” marca o retorno de Carlos Rocha à direção teatral e terá temporada de três semanas em BH

iG Minas Gerais | lucas buzatti |

Espaço urbano. 
A trama de “O Urro” conta a busca de um escritor tentando entender a megalópole
Gil Amâncio
Espaço urbano. A trama de “O Urro” conta a busca de um escritor tentando entender a megalópole

Começa nesta quinta, na Funarte, a nova temporada do espetáculo “O Urro”, que marca o retorno de Carlos Rocha, o Carlão, à direção teatral. A peça também retoma a parceria entre Carlão e Gil Amâncio (que assina a codireção e a trilha sonora), e ficará em cartaz até o dia 8 de março pela 41ª Campanha de Popularização Teatro e Dança.

Após trabalhar por décadas como encenador, Carlos Rocha assumiu, em 1993, a direção do teatro Francisco Nunes, onde ficou, entre idas e vindas, por 14 anos. Durante esse tempo, também ajudou a criar o Festival Internacional de Teatro e Rua (FIT), do qual foi diretor geral em diversas edições, o que manteve seu tempo ocupado, impossibilitando o trabalho com a direção teatral.

Sobre o reencontro com Gil Amâncio, Carlão conta que a parceria artística é antiga e já rendeu vários espetáculos. “Trabalhamos por uma década juntos na Cia. Sonho e Drama, que acabou resultando na ZAP 18”, conta, lembrando de montagens conjuntas, realizadas entre 1981 a 1988, como “O Processo”, de Franz Kafka; “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa; e “Antígona” de Sófocles/Brecht.

Para Gil Amâncio, a motivação para a retomada da parceria artística é a mesma que juntou os dois profissionais no passado. “A parceria volta justamente por meio do que nos pegou lá atrás, que é a pesquisa e a inovação da linguagem cênica. Quando conversamos sobre ‘O Urro’, o Carlão disse que tinha um roteiro que pensava em trabalhar com quadrinhos, um recurso incrível, que proporciona uma leitura bem legal das cenas. Então, juntamos a fome com a vontade de comer”, brinca.

Roteiro e montagem. O espetáculo “O Urro” poderia ser chamado de monólogo, não fossem as várias linguagens que contracenam com o ator Gustavo Senna no palco. São HQs, vídeos, fotos, textos e imagens que ajudam o espectador a entender o drama vivido pelo personagem central, um escritor que tenta entender a solidão e as possibilidades transgressoras geradas pela megalópole fictícia Urbanus.

A peça faz parte de uma trilogia – formada também pelos espetáculos “O Desaparecimento de Dylan” e “O Lixão” – focada nas questões que envolvem o viver em sociedade numa cidade grande. “Sempre fui muito atento às relações possíveis e não possíveis que a cidade proporciona. Os três espetáculos têm essa coisa futurista e, ao mesmo tempo, mostram situações absurdas, extremas, do espaço urbano”, explica Carlos Rocha.

O diretor conta que as múltiplas linguagens do espetáculo se desdobram em torno de uma base estética: as HQs. “Temos duas estruturas no espetáculo, uma projetada e outra ao vivo. Ao vivo, é toda a parte narrada pelo escritor, que tenta entender e registrar o que se passa ao seu redor, na cidade”, diz. “Dentro dessa reflexão do escritor, entra a projetada, que é toda centrada nos quadrinhos, desenhados por Marcelo Lelis. A partir deles, surgem animações, vídeos, fotografias e textos que constroem diálogos estéticos no palco”, explica.

Gil Amâncio acrescenta que a trilha sonora, por ser atuante, também se transforma em outra linguagem durante o espetáculo. “A trilha também dialoga não só com o ator, mas com as imagens, o texto, os quadrinhos. Não é uma trilha de fundo. Os elementos eletrônicos dão um tom de modernidade, dessa questão urbana, enquanto a instrumentação de orquestra surge em alguns momentos para conferir dramaticidade às cenas”, conclui.

Agenda

O QUÊ. Peça “O Urro”

QUANDO. Desta quinta a 8 de março. Quinta a sábado às 21h; e domingo, às 20h

ONDE. Funarte (rua Januária, 68, Floresta)

QUANTO. R$ 10

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