Peça “Humor” usa metáfora para falar sobre a vida

O texto escrito por Campos, ao qual se refere Benevenuto, faz parte do livro da peça que será lançado nesta quinta, também no CCBB

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |



Homem sofre de doença rara que faz líquidos de seu corpo secarem
Guto Muniz
Homem sofre de doença rara que faz líquidos de seu corpo secarem

Desde que estrearam a peça “Humor”, os integrantes da companhia Quatroloscinco já a apresentaram por setes Estados brasileiros. Em uma delas, passaram pela capital capixaba em um festival que claramente tinha um escopo repleto de comédias. A peça mineira estava prevista para ser encenada em um teatro antigo de Vitória (ES), com muitos lugares. Ao descrever essa situação, Assis Benevenuto, que ao lado de Marcos Coletta assina a criação da montagem, relata que o grupo temia que o público fosse em busca de uma grande comédia. Um temor que se mostrou real.

“No fim da peça tinha um debate e vi que muitas pessoas ficaram para conversar. Uma delas disse que veio para ver uma comédia e começou achando muito estranha. Mas que, no final das contas, tinha gostado muito”, conta Benevenuto.

A estranheza do espectador é normal, pois, embora a peça, que volta em cartaz pela Campanha de Popularização a partir desta quinta, no CCBB, tenha o título que remeta diretamente à comicidade, não estimula a risada. Pelo menos não exclusivamente. “Quando a gente começou a pensar na peça, consideramos esse nome porque, na área médica, ele faz referências aos líquidos que passam por todo o corpo e queríamos falar de todos os estados emocionais de uma pessoa. Já no teatro está ligado à comédia. O resultado foi unir os dois para falar da vida”, diz Benevenuto.

No eixo central da trama, está um homem (Coletta) que tem uma doença rara que promove a secagem dos líquidos de seu organismo. Paralelamente, outros personagens o atiçam a relembrar memórias e, por esse caminho, divagam sobre o tempo e sobre a lenta morte do corpo. “No início o homem doente fica sem falar nada por 40 minutos. Os outros ficam falando, perguntando. Daí tem uma reviravolta”, adianta.

NOVIDADES. Quarta peça do repertório do Quatroloscinco, “Humor” traz algumas mudanças. O desenvolvimento é sempre feito coletivamente pelos quatro integrantes, mas desta vez contou com a contribuição de dois profissionais: Gustavo Miranda e Rodrigo Campos.

O primeiro é colombiano e mestre em dramaturgia. Contribui com a peça no sentindo de tornar a improvisação um dos alicerces que sustentam o espetáculos. “Ele tem uma pesquisa muito interessante sobre essa área e nos ajudou com isso. Importante dizer que a peça não tem improvisação”, alerta Benevenuto.

Rodrigo Campos, por sua vez, agiu como uma espécie de crítico. Durante um mês ele assistiu semanalmente aos ensaios enquanto anotava suas observações, depois compartilhava com o grupo e partia. “Foi um trabalho muito importante. Em um texto ele declara curioso o fato de termos chamado um diretor para não ser diretor. Mas fizemos isso porque precisávamos de um olhar de fora”, diz.

O texto escrito por Campos, ao qual se refere Benevenuto, faz parte do livro da peça que será lançado nesta quinta, também no CCBB. Para o dramaturgo, existe uma lacuna no mercado editorial que seria preenchida se houvesse mais obras literárias com- posta de textos das peças.

É por isso que a companhia já lançou obras de todas as suas montagens realizadas. A novidade é que o lançamento acontece pela editora Javali, fundada por Benevenuto e pelo parceiro Vinícius Souza. “Ainda estamos entendendo como ela vai funcionar, mas a ideia é publicar peças”, afirma.

Agenda

O quê. “Humor”

Quando. Nesta quinta até o dia 8/3, quarta a domingo, às 20h

Onde. CCBB (praça da Liberdade, 1.127, Funcionários)

Quanto. R$ 5

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave