Fórmula previsível é elevada por um ótimo elenco

O pequeno Jaeden Lieberher tem uma missão de peso na sua estreia no cinema, ao contracenar com um ator conhecido pela improvisação e rapidez

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Previsibilidade da história é salva pela boa química do elenco
Paris
Previsibilidade da história é salva pela boa química do elenco

Se na gastronomia francesa, a máxima reza que tudo fica melhor com manteiga, no cinema, o mesmo se aplica a Bill Murray. Qualquer filme é melhor com Bill Murray. Se ele estivesse em “Cinquenta Tons de Cinza”, o longa seria 100% melhor.

Grande prova disso: este “Um Santo Vizinho”, que estreia hoje nos cinemas. O longa conta a história de Vincent (Murray), velho rabugento que odeia a vida, o universo e tudo mais. Até o dia em que o pequeno Oliver (Jaeden Lieberher) se muda para a casa ao lado com a mãe divorciada, Maggie (Melissa McCarthy).

Oliver ama a vida, mas não entende nada dela. Ele precisa de algumas lições de Vincent. Mas também vai ensinar algumas ao veterano do Vietnã. Da primeira cena em que os dois se encontram, você sabe exatamente como a história vai terminar.

E ainda assim, o filme do roteirista e diretor Theodore Melfi, que faz sua estreia em longa-metragem, funciona. Porque o que falta de originalidade no material sobra em Murray. O ator não tenta tornar seu personagem mais agradável do que ele (não) é, mas em nenhum momento faz dele uma caricatura. Há uma trama envolvendo uma dívida dele com a máfia de apostas em corridas de cavalo, que termina meio sem final. Há outra novelesca, envolvendo a esposa de Vincent. E ele faz todas as cenas cantarem com seu humor e a autenticidade imprevisível que ele empresta ao protagonista.

Verdade seja dita, ele não está sozinho. O pequeno Jaeden Lieberher tem uma missão de peso na sua estreia no cinema, ao contracenar com um ator conhecido pela improvisação e rapidez. E o garoto cumpre bem sua função de contraponto a Vincent, dando a Oliver uma inocência e um otimismo que nunca esbarram no carisma forçado e irritante de atores mirins.

Melfi deve ser creditado ainda a uma subversão estratégica na escalação do elenco. Ele dá a Melissa McCarthy o papel que todos imaginariam para Naomi Watts, controlando os histrionismos da comediante e extraindo dela sua performance mais convincente no cinema. E dá a Watts o papel que convencionalmente iria para McCarthy, da prostituta russa exagerada e desbocada que mantém um caso com Vincent.

No fim, todo o papo sobre santo e a relatividade da bondade que o roteiro discute só serve como uma plataforma que esse elenco transforma em duas horas ordinárias, mas agradáveis. Não tem nada de novo, não vai mudar sua vida, mas se você quer uma mistura de “Pequena Miss Sunshine” com Bill Murray e sem toda aquela qualidade, não vai se arrepender. 

Mostra

Além de “Spiner Americano” e “Um Santo Vizinho”, não haverá outras estreias em Belo Horizonte. No entanto, uma boa opção é assistir aos longas da 9ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos - Programa Democratizando, que começa hoje no Cine 2014. Lançada em 2006, a mostra é uma realização do Ministério da Cultura e, nesta edição, exibe os filmes “Cabra Marcado para Morrer”, “Rio Cigano”, “A Vizinhança do Tigre” e “Que Bom te Ver Viva”. Todos alicerçados por ideias sobre ideais de liberdade, de igualdade e sobre a luta por direitos. A entrada é gratuita e haverá áudio-descrição para deficientes auditivos.

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