Bacalhau do Batata estica carnaval na Quarta-Feira de Cinzas em Olinda

Tradicional bloco, criado há 53 anos, marca o último dia de folia e garante a festa de quem quer aproveitar até o último momento

iG Minas Gerais | Agência Brasil |

Bloco foi criado há 53 anos pelo garçom Isaías Pereira da Silva, o Batata, para garantir a diversão de quem trabalhava no carnaval
Luciano Nascimento/Agência Brasil
Bloco foi criado há 53 anos pelo garçom Isaías Pereira da Silva, o Batata, para garantir a diversão de quem trabalhava no carnaval

Os foliões que brincaram os dias de carnaval pelas ruas do Recife e de Olinda ainda podem aproveitar a festa nesta Quarta-Feira de Cinzas (18). O tradicional bloco do Bacalhau do Batata desfila nesta quarta pelas ladeiras de Olinda. O bloco foi criado há 53 anos pelo garçom Isaías Pereira da Silva, o Batata, para garantir a diversão de quem trabalhava no carnaval e tornou-se ponto de encontro dos foliões que não querem o fim da festa.

Desde o início da manhã, as pessoas se concentraram no Alto da Sé, aguardando a saída do bloco. Muitos, ainda fantasiados, querem prolongar a folia. "Para a gente o carnaval ainda não acabou, tem o Bacalhau e se deixarem vamos até domingo", disse o advogado Antonio Ribeiro.

O bloco trás um bacalhau junto com o estandarte cercado de temperos. Pesando quase 30 quilos, o peixe vai ao fogo após o desfile do bloco. A tradiçao foi mantida mesmo após a morte do fundador do bloco, em 1993. "Fui sempre amigo do Batata que para mim foi um irmão”, afirma Carlos Couto, que sai no bloco há 50 anos e atualmente é responsável por "confeccionar" a alegoria.

“Ele morreu mas eu continuei fazendo o bacalhau na Quarta-Feira [de Cinzas]”, disse Couto. "Nós vamos colocar ele na panela e comer tudinho", arrematou o aposentado Antônio Rodrigues, que há 53 anos tem a missão de carregar o estandarte.

Antes do Bacalhau do Batata, quem começou a movimentar a diversão foi o bloco Mungunzá de Zuza Miranda e Thaís que há 20 anos serve o mungunzá, como é chamado o mingau de milho em Pernambuco, como café da manhã. "Para a gente é uma alegria, servirmos esse mungunzá para dar força e energia para a pessoa continuar depois no Bacalhau do Batata", explicou Zuza. O bloco levou mingau para 5 mil pessoas.

Os foliões destacam que o mingau renova as energias. "Estamos há 12 horas, eu e minhas amigas na folia, sem parar. Resolvemos vir aqui para comer e curtir o último dia de carnaval”, disse o estudante Mateus de Souza que acompanhou o bloco pela primeira vez.

A folia em Olinda promete seguir até a noite. Além do Bacalhau do Batata, outros blocos prometem fazer a alegria de quem quer aproveitar até o final a diversão carnavalesca.

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