Custo-aeroporto em BH pode encarecer a viagem em 150%

Passagens promocionais podem valer R$ 100, mas gastos com transporte e lanche extrapolam

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

“Lá em cima”. Psicóloga Layla Fajardo afirmar que falta de opção em alimentação é o motivo para preços tão salgados em Confins
FOTO: MOISES SILVA / O TEMPO
“Lá em cima”. Psicóloga Layla Fajardo afirmar que falta de opção em alimentação é o motivo para preços tão salgados em Confins

O brasileiro já se habituou a ficar atento às promoções de passagens de avião. Empresas aéreas divulgam trechos por R$ 85, mas o conforto da viagem pode sair caro, não pela passagem, mas pelos custos dos aeroportos. Taxa, traslado ou estacionamento e um lanche simples podem fazer a viagem de avião ficar até 150% mais cara.

Enquanto uma passagem promocional custa em média R$ 100, os gastos no aeroporto chegam com facilidade a R$ 150. Um táxi da região Centro-Sul da cidade até o Aeroporto Internacional Tancredo Neves fica em torno de R$ 110. Já no aeroporto, um pão de queijo com um café expresso e uma água de 500 ml não saem por menos de R$ 14,50. Além disso, soma-se a taxa de embarque, que mesmo sendo paga junto com a passagem tem seu valor destinado à manutenção dos aeroportos. A taxa de embarque do aeroporto internacional é de R$ 23,37. Já no aeroporto da Pampulha a taxa passou, no dia 13 de fevereiro, de R$ 16,94 para R$ 19,35.

Quem faz a conta acaba pensando duas vezes antes de optar pela viagem de avião. É o caso da psicóloga Cyntia Beltrão. “Nas próximas viagens de Belo Horizonte para São Paulo, cogito ir de ônibus. Se eu estiver sozinha, vale mais a pena. Ir de avião, juntando todo o traslado, fica muito caro”, afirma.

Uma passagem de ônibus executivo para São Paulo pode ser adquirida por R$ 124. Porém, o que fica em torno de R$ 150 no aeroporto não chega a R$ 40 na rodoviária – uma diferença de 275%. A taxa de embarque da rodoviária de Belo Horizonte é de R$ 4, ou seja, 83% mais barata do que a aplicada no aeroporto internacional.

O mesmo lanche que no aeroporto sai a R$ 14,50, substituindo o expresso pelo tradicional cafezinho, custa R$ 4,30 na rodoviária. Além disso, como a rodoviária é central, um táxi saindo da mesma região Centro-Sul custa, no máximo, R$ 30.

Para a vendedora Layla Fajardo, a falta de opção em alimentação no aeroporto é um dos motivos para que os preços sejam tão salgados. “Como não temos acesso a outros espaços, eles jogam os preços para o alto”, afirma. Ela também reclama das filas que se formam nas poucas opções de lanchonete no aeroporto. “As filas são muito desgastantes”, complementa. A bioquímica Fernanda Souza compara e diz que “no aeroporto de Curitiba os preços são mais acessíveis”.

Alternativas. Para amenizar os custos do aeroporto, principalmente com transporte, no caso do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, algumas alternativas são utilizadas. Entre elas estão os ônibus que fazem o traslado. O executivo sai da avenida Álvares Cabral e custa R$ 23,70. Já o convencional sai da rodoviária por R$ 10,70. Para o funcionário público Marcelo Souza, o ônibus convencional é uma boa opção. “O preço não é abusivo. Acharia caro só se fosse pegar todo dia”, avalia.

Preço abusivo

“O custo com alimentação no aeroporto é muito puxado. Comprei dois sanduíches para os meus sobrinhos e paguei R$ 50. Chega a ser abusivo. E foi uma das opções mais baratas que encontrei”

Rosângela Mesquita, 57, Professora

Para onde vai

Gestores. A taxa de embarque que sofreu reajuste remunera os aeroportos por serviços como sistemas de informação, esteiras e carrinhos de bagagem, além de financiar o Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac).

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