Explorando possibilidades para acertar

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |


“Better Call Saul” tem episódios exibidos semanalmente no Brasil
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“Better Call Saul” tem episódios exibidos semanalmente no Brasil

Independentemente de quem seja o vencedor da briga entre Netflix e Amazon na área de produções audiovisuais – algo difícil de saber já que nenhuma das empresas libera números da audiência, sobrando apenas prêmios e críticas como termômetro –, é certo que ambas assumem um papel fundamental ao modificar a forma com que o espectador se relaciona com os programas que assiste.

A Netflix surgiu como conceito de disponibilizar todos os capítulos de uma série de uma só vez, ato que ficou conhecido como “binge-watching”. Tal ação vem levando pessoas a passarem horas seguidas assistindo às séries. Aproximadamente 2% dos assinantes do serviço nos Estados Unidos assistiram aos 13 episódios da segunda temporada de “Better Call Saul”, liberada em 14 de fevereiro de 2014, no mesmo dia.

Embora o número impressione e o modelo tenha sido bem-aceito pelo público, o serviço de streaming responsável por “Hemlock Grove” retornou a lógica antiga nesse spin-off mais aguardado do ano, que foi “Better Call Saul”. Nos Estados Unidos, a produção é veiculada pela AMC e em outros países pelo serviço online, ambos semanalmente.

Estratégia. A Amazon, por sua vez, investe no sistema de lançamentos de vários pilotos de uma vez só, daí aguarda pelo feedback dos espectadores para dar o sinal verde para a produção completa da temporada. “Eu acho que o modelo de piloto utilizado pela Amazon é realmente muito inteligente por atrair mais atenção para suas obras”, comenta o editor do site norte-americano Hitfix.com, Allan Sepinwall.

E, mesmo que muitos espectadores ainda estranhem os processos e discutam qual é o melhor caminho, essas particularidades influenciam no modo como eles enxergam os dois serviços.

Para o consultor Ildeu Júnior de Oliveira, que assina o serviço desde 2012, esperar por um episódio a cada semana não o agrada mais. “Eu não curto mais, acho que por comodismo mesmo e influência da Netflix”, comenta, alegando que chama a atenção o fato de o serviço também por disponibilizar séries antigas na íntegra.

Efeitos. Com relação ao sistema utilizado pela Amazon, Oliveira acredita que o modelo possa causar frustração nos casos em que o espectador goste muito de um piloto, mas não tenha a oportunidade de acompanhar a continuação da história se ela não for produzida e, ao mesmo tempo, ser um motivador para conhecer outras produções. “Tive uma experiência muito ruim com uma série japonesa que não prosseguiu. O lado bom é que isso impulsiona a buscar por outras séries hoje”, opina.

De acordo com esse cenário, o que se vê é como os dois serviços procuram construir um relação com o espectador de proximidade, e, claro, utilizando as melhores armas que têm. “Eles estão atingindo patamares cada vez mais grandiosos. Veja como é grande o negócio com Woody Allen ou a repercussão de ‘Transparent’ teve. Vai ser uma batalha difícil”, diz Sepinwall.

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