Uma disputa (quase) acirrada

Netflix e Amazon brigam pela liderança no mercado de streaming, aumentando a quantidade de produções próprias

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Kevin Spacey em “House of Cards”, da Netflix
Melinda Sue Gordon
Kevin Spacey em “House of Cards”, da Netflix

A maior prova de que programas de televisão, especialmente séries, têm os serviços de streaming como produtores e distribuidores estáveis é a briga “anunciada” entre Netflix e Amazon para este 2015. A primeira, detentora dos sucessos “House of Cards” e “Orange Is The New Black”, vai apresentar 15 novas séries – além de várias continuações durante este ano –, enquanto a segunda, maior empresa de varejo do mundo, lançou 13 pilotos e anunciou que duas séries serão dirigidas por Woody Allen e Guilherme del Toro.

Ambas as produtoras aumentaram consideravelmente o ritmo de suas séries para este ano, uma prova de que o mercado recebe cada vez melhor obras originadas de canais da internet. “Eu acho que podemos lançar com sucesso e alta qualidade cerca de 20 shows por ano, o que significa uma série a cada duas semanas e meia”, declarou o chefe de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, ao canal de TV CNN Money.

Se por um lado, a Netflix exibe suas intenções focadas na quantidade de lançamentos anuais, por outro, a Amazon tem o trunfo de ter produzido uma série em 2014 que alcançou o que nenhuma das produzidas pela concorrente conseguiu: o prêmio de melhor série no Golden Globe por “Transparent’.

Soma-se a isso o fato de o programa que relata a história do pai que se revela um crossdresser para a família ter recebido excelentes críticas, se colocando em uma lacuna até então vaga: a de concorrente à altura da Netflix.

No Brasil, essa relação ainda é nebulosa devido ao fato de a Amazon Prime – serviço da empresa varejista que disponibiliza vários recursos, como cloud computing para fotos, aluguel de e-books, séries e filmes online e outros – não ser disponível ainda. No entanto, a discussão também ganha forma por aqui devido à repercussão de “Transparent”.

“Aqui nos Estados Unidos, a Amazon é uma das maiores empresas em tudo. Ela esmaga outros varejistas. Mas em streaming de vídeo fica em segundo em relação à Netflix. Eu acho que a diversificação do que a Amazon Prime oferece estranhamente fere o serviço de streaming, porque um monte de usuários Prime ou não estão cientes de que ela existe, ou não estão cientes de quanto vem com ela”, analisa o editor do site norte-americano especializado em entretenimento Hitfix.com , Alan Sepinwall.

Essa abundância de serviços, para Sepinwall, é um fator que pode atrasar o sucesso da varejista sobre a líder de filmes e vídeos por streaming. “Quando você vai para a página inicial da Amazon, você está alertado sobre dezenas de produtos em várias áreas. Quando você vai para a página inicial da Netflix, ele só é streaming de vídeo, e, geralmente, com uma ou duas séries originais Netflix exibidas em destaque”, compara.

Some-se a isso um importante obstáculo no qual a Netflix ainda está bem na frente. “Entre os mais jovens, em particular, Netflix é praticamente o meio que eles consomem televisão. Se eu disser para algum deles que devem assistir a um show que é só na Amazon Prime (ou até mesmo na HBO), muitas vezes darão de ombros e dirão que só vão encontrar outra coisa na Netflix. A fidelidade construída pela marca é realmente poderosa.”

Uma das provas desse apego pela marca foi refletida em número por uma pesquisa realizada pela empresa canadense Sandvine. Segundo relatório apresentado, cerca de 32% do tráfego de internet em 2014 na América do Norte vêm da Netflix. Em segundo lugar está o YouTube, com 13,25%. E os vídeos da Amazon figuram na lista com 2,3% de transferência de dados.

“A comparação que eu costumo fazer é com Michael Jordan, que foi o maior jogador de basquete que já viveu. Por dois anos, ele deixou o basquete para tentar jogar beisebol, e nesse esporte ele foi medíocre. Por enquanto, pelo menos, a Amazon está tentando se posicionar de uma maneira com relação ao streaming que pode ser comparado ao Michael Jordan jogando beisebol”, opina.

Competição também na área de filmes

Estúdios. Netflix e Amazon também investem na produção de longas originais. Há mais tempo no ramo, o Netflix está finalizando a sequência de “O Tigre e o Dragão” para o segundo semestre de 2015. Além disso, Adam Sandler protagonizará quatro longas para a rede. Já a Amazon quer produzir 12 produções por ano que, no entanto, serão primeiramente exibidas em salas de cinema e, depois de quatro a oito semanas, disponibilizadas na internet.

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