Bloco Juventude Bronzeada leva axé anos 90 para ruas do Floresta

Pintados de branco no estilo Timbalada, cerca de 10 foliões relembram clássicos que marcaram geração na tarde desta terça (17)

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Cidades - Belo Horizonte -  Minas Gerais
Carnaval 2015 na cidade de Belo Horizonte 
no bairro Floresta
Na foto: Bloco Juventude Bonzeada

Foto: Uarlen Valerio / O Tempo -   17.02.2015
Uarlen Valério
Cidades - Belo Horizonte - Minas Gerais Carnaval 2015 na cidade de Belo Horizonte no bairro Floresta Na foto: Bloco Juventude Bonzeada Foto: Uarlen Valerio / O Tempo - 17.02.2015

A força dos foliões arrastou ontem literalmente o incansável Juventude Bronzeada pelo bairro Floresta, na região Leste de Belo Horizonte. Para passar por ruas inclinadas e apertadas, em meio a carros estacionados e milhares de pessoas, foliões usaram o poder contagiante do samba-reggae e do afoxé – dança afro-brasileira – para abrir caminho e guiar a multidão. O carro de som do grupo, uma Saveiro ano 2005 que carregava cerca de 1 t de equipamentos sonoros, mais regente e cantores, também precisou do “empurrão” da galera para conseguir subir as ladeiras.

Foi com essa energia quase sobre-humana que a “juventude” desfilou por cerca de quatro horas, em um trajeto que foi da praça Lions até a rua Sapucaí, próxima ao viaduto Santa Tereza. A concentração começou por volta das 11h, e quanto mais tarde ficava, mais gente se juntava ao bloco. Ao todo, cerca de 10 mil pessoas participaram – embora os poucos policiais militares no local não tivessem um balanço preciso.

O tom predominante do bloco era a própria cor da pele, pintada com traços brancos no rosto, nos braços e no peito, característicos da banda Timbalada. A bateria e os músicos usaram também saias com fitas coloridas. Entre os instrumentistas, estavam novatos na música, atraídos pela beleza e explosão do Carnaval da capital.

Primeira vez Um deles era o educador físico Euler Petronio, 32, que encontrou no “Juventude Bronzeada” seus estilos preferidos – axé “retrô” dos anos 90 e Timbalada. “Antes eu era só folião, nunca me imaginei aqui ajudando a conduzir um bloco. Está sendo um Carnaval mágico que quero levar para a vida toda”, afirmou.

Antes da bateria “pulsar” pra valer, o regente Rodrigo Magalhães, 29, deu uma aquecida nos tambores e na memória dos instrumentistas. Entre os sinais que ele dava para a bateria, não faltou o coração feito com as mãos. “Se é a primeira vez para muitos deles, é a minha primeira vez também como regente. Então, está tudo certo. O lema é a alegria acima de qualquer coisa” disse Magalhães.

E não faltou alegria e comunhão entre as pessoas, que dançavam juntas e se abraçavam. Quando o hino do bloco começou a tocar, a galera cantou em coro o refrão: “Bateu no coração, era amor, era a Juventude Bronzeada do Belô! Bateu no coração, era paixão, então abrace seu irmão”. Nas janelas das casas vizinhas, curiosos e foliões ajudaram a compor a festa. “É lindo ver os jovens alegres e em paz”, comentou a aposentada Eufélia Bertossi, 85.

Embora o nome do bloco também traduzisse o perfil do público, havia famílias e crianças no local. E se a música parasse para ajustes no carro de som, a galera pedia mais. Após mais de três horas de percurso, os foliões ainda tinham ânimo de primeiro dia de Carnaval. Ao som de “Eva”, todos seguiam o comando dos cantores e abaixavam no chão.  

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