Foliões chegam antes da estrutura no Carnaval de BH

A festa ficou mais bonita, mas problemas como falta de banheiros e segurança ficaram evidentes com crescimento

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Cidades - Belo Horizonte -  Minas Gerais
Carnaval 2015 na cidade de Belo Horizonte 
no bairro Floresta
Na foto: Bloco Juventude Bonzeada

Foto: Uarlen Valerio / O Tempo -   17.02.2015
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Uarlen Valério
Cidades - Belo Horizonte - Minas Gerais Carnaval 2015 na cidade de Belo Horizonte no bairro Floresta Na foto: Bloco Juventude Bonzeada Foto: Uarlen Valerio / O Tempo - 17.02.2015 super1
Nos últimos dias, Belo Horizonte viveu e pulsou por pelo menos 60 horas de muita música, cores e alegria. Ingredientes que fizeram da folia deste ano o maior Carnaval da história da cidade, com mais de 1 milhão de pessoas nas ruas. Todo o movimento dos blocos que arrastaram multidões pelas mais diversas regiões, em sua maioria, nasceram e cresceram de forma espontânea, o que, por outro lado, deixou também visível as inúmeras deficiências que a cidade tem para lidar com um evento de grande porte como esse. “O Carnaval aqui é muito recente, cresceu instantaneamente e muito velozmente, e nós temos várias questões para ampliar e refinar o planejamento. Detectamos vários problemas e estamos fazendo um relatório desse fenômeno interessante que ocorreu para termos a dimensão exata e, no próximo ano, evitarmos prejuízos e improvisações”, reconhece Mauro Werkema, presidente da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur). Os principais problemas já detectados por Werkema estão concentrados em banheiros, policiamento, ambulantes e organização. “Nós estamos aprendendo muito com esse Carnaval. Tivemos cerca de 1.250 ambulantes cadastrados, mas a fiscalização nem sempre consegue afastar a presença dos “toureiros” (como são conhecidos os vendedores clandestinos). Pela dimensão da festa, até mesmo a PM se surpreendeu por não ter tido nada de muito grave. Já os banheiros, tivemos um crescimento de 125% em relação ao ano passado, mesmo assim, há reclamações, o quê, na nossa opinião, tem a ver com a distribuição espacial, o que devemos corrigir”, disse. Esses e outros problemas estarão contemplados em um relatório que o presidente da Belotur diz estar produzindo para propor mudanças ao prefeito Marcio Lacerda, conforme adiantou para O TEMPO. “Sugiro a criação de um decreto municipal que estabeleça nova legislação sobre o uso dos espaços públicos, diferencie o que é um grande evento de um bloco de rua, e exija maior responsabilidade dos blocos para seguir os horários e os trajetos”, explica. Werkema também diz que o documento deve contemplar ainda a diferenciação entre os carros de som dos trios elétricos, para não ocorrer confusões como a que atrasou em mais de duas horas a saída do bloco Baianas Ozadas na última segunda-feira. “Não queremos, por enquanto, trios elétricos em Belo Horizonte. Se deixar, isso aqui vai virar a Bahia. Não tenho preconceito, mas queremos que o Carnaval de BH adquira uma cara mais de rua, familiar, democrático, barato e mais seguro”, justifica.  Segundo o presidente, a ideia não é “limitar” o Carnaval na cidade, mas sim garantir um maior planejamento. “Não tenho dúvidas que esse Carnaval de Belo Horizonte se inseriu nas grandes festas carnavalescas do Brasil e passa a ser efetivamente a maior festa popular da cidade”, diz. Se, neste ano, o investimento total ficou na casa dos R$ 5,5 milhões, Werkema acredita que em 2016 a cidade tem condições de atrair mais investimentos, assim como manter ou aumentar o número de foliões na cidade. “Isso pode ser consequência da fama e da repercussão do Carnaval da cidade, ou seja, mais patrocinadores vão se interessar para colocar mais dinheiro”, afirma.

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