O fim de uma era?

Repórter de O TEMPO analisa as mudanças do Carnaval de Ouro Preto; folia na cidade histórica terá que se reinventar para evitar uma provável decadência

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Cidades - Do dia - Ouro Preto MG
Carnaval na cidade historica de Ouro Preto

FOTO: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 16.2.2015
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Cidades - Do dia - Ouro Preto MG Carnaval na cidade historica de Ouro Preto FOTO: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 16.2.2015

Irreconhecível. Assim está o Carnaval de Ouro Preto, uma das mais famosas festas de Minas Gerais. Ao chegar na cidade nesta segunda-feira (16) com a fotógrafa Mariela Guimarães me deparei com uma cidade vazia, sem fantasias ou vibração.

A primeira coisa que pensei foi que talvez os tradicionais recantos da folia e da pegação na praça Tiradentes e na rua Direita tivessem mudado para outro canto. Decidi percorrer outras ladeiras, mas não foi preciso ir muito longe para perceber que o point não mudou de quarteirão ou bairro, mas de cidade.

O Carnaval de Ouro Preto não é mais o mesmo. O sucesso da festa em Belo Horizonte roubou parte significativa dos foliões que antes não pensavam duas vezes nem mesmo precisam consultar qualquer programação para pegar a BR-040 nesta época do ano e desembarcar na farra ouropretana.

A queda do público é fato, e dos preocupantes para uma cidade que vive do turismo e da fama que construiu ao longo de anos de um dos melhores Carnavais de Minas e do Brasil. Chegou a ser um pouco melancólico. Há dois anos estive na cidade cobrindo o mesmo feriado, também ao lado de Mariela. Bastava um piscar de olhos, eu de um lado da rua e ela do outro, para nos perdermos uma da outra no meio de uma multidão.

Se antes a festa arrastava, literalmente, os visitantes que ficavam nas portas das pousadas, restaurantes ou repúblicas, agora, o que vi foram turistas vagando pelas ruas à procura daquela folia que antes conduzia quase que por osmose quem estava na rua.

Um pouco cansados, alguns até ressentidos do Carnaval embalado pelo axé, funk e carros com sons potentes, os moradores que há alguns anos clamam pela volta das marchinhas e de uma festa mais tranquila, demonstraram que aprovaram a cidade mais vazia. Mas, não precisa ser nenhuma Mãe Dináh para saber que eles – assim como os comerciantes e os estudantes de repúblicas (que aproveitam o feriado para fazer caixa) que já demonstram preocupação com a queda – logo logo irão sentir saudades das ladeiras lotadas de turistas. Eu senti.

Uma coisa é certa: assim como o Carnaval de Belo Horizonte se reinventou, e hoje é capaz não só de fazer com que os moradores fiquem na capital, antes fantasma nessa época, mas de atrair turistas, a vizinha histórica também precisa se redescobrir e brigar de novo pelo posto de um dos destinos mais cobiçados pelos foliões.

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