Racionamento deve ser decretado em até cem dias

Demora pode levar corte no consumo a ser ainda maior

iG Minas Gerais |

Apagão, não. Especialistas esperam que governo determine medidas para evitar situação extrema
Júlio Boaro / Wikicommons
Apagão, não. Especialistas esperam que governo determine medidas para evitar situação extrema

São Paulo. O racionamento de energia é inevitável e seu anúncio terá de ser feito em um prazo máximo de cem dias. Esta é a previsão de especialistas do setor elétrico diante da situação de falta de chuvas que atinge, sobretudo, o Sudeste do país. O atual nível dos reservatórios e a previsão pluviométrica para o fim do período chuvoso, até abril, mostram que o volume de água armazenada não subirá o necessário para que o Brasil tenha condições de superar o período seco, de maio a outubro.

Por isso, o intervalo entre o final de abril e o início de maio é considerado data limite para um anúncio oficial de racionamento. A demora federal em anunciar o racionamento, ou ao menos iniciar uma ampla campanha de conscientização de consumo racional, agrava a situação e pode fazer com que o corte seja ainda maior.

Entre especialistas, acredita-se que a restrição deva ficar entre 10% e 20% da carga, mas há quem projete números de 5% a 30%, a depender do ritmo da atividade econômica nos próximos meses.

O alívio poderia vir da desaceleração da economia brasileira e da queda na produção da indústria nacional, esta motivada principalmente pela falta de água em Estados como São Paulo e Minas Gerais. “Se continuar a seca existente neste momento, e se considerarmos as previsões de vazão do ONS, chegamos até abril”, afirmou a diretora da Engenho Consultoria, Leontina Pinto, em referência a previsões recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico.

A análise leva em conta o limite mínimo de 10% no nível dos reservatórios proposto no mês passado pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. O problema é que o limite de 10% deveria ser alcançado no final do período seco, no último trimestre do ano, e não no primeiro semestre.

Para que o limite de 10% fosse respeitado, o nível dos reservatórios deveria chegar ao final de abril com o equivalente a 35% capacidade de armazenamento. A projeção foi feita em dezembro passado pelo diretor geral do ONS, Hermes Chipp.

Na oportunidade, ele destacou que o número seria alcançado se o volume de chuvas até o mês de abril ficasse próximo a 70% da média histórica, o que não ocorreu até o momento. Os dados de fevereiro indicam 51%.

Corte maior. “É um absurdo que o órgão de monitoramento ainda não tenha decretado racionamento. Se tivesse havido racionalização (de energia) em 2013, teríamos alcançado o objetivo de redução de consumo. Mas hoje falamos de cortes equivalentes a 10% a 20% da carga para que se tenha recuperação dos reservatórios”, salientou o diretor da consultoria Thymos Energia, Ricardo Savoia.

“A questão é que não temos mais tempo a perder. Se adiar mais um, dois, três meses, o governo aumenta o buraco”, alerta o diretor da PSR, Marco Antonio Siqueira. “Corremos o risco de que o corte necessário seja maior, como foi em 2001”, disse. Na época, no governo Fernando Henrique, o corte foi de 20%.

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