“Arrocho” é bom para o polo calçadista de Nova Serrana

Produto fabricado no Centro-Oeste de MG é considerado popular e, portanto, mais barato

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Esperança. Como fabrica calçados mais populares, polo de Nova Serrana espera vendas melhores
Esperança. Como fabrica calçados mais populares, polo de Nova Serrana espera vendas melhores

Enquanto para vários setores da economia a perspectiva de arrocho e fraco crescimento é avaliada como negativa para os negócios, no polo de Nova Serrana, na região Centro-Oeste do Estado, a crise significa oportunidade, conforme o vice-presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Júnior César Silva. “O arrocho favorece o calçado de Nova Serrana, que é mais barato”, diz ele. Silva explica que o perfil do produto fabricado no polo – que é formado por Nova Serrana e mais 11 cidades da região – é mais popular, mas que isso não exclui a qualidade, já que o consumidor, independente da classe social, está cada vez mais exigente. Sem falar em percentuais, ele aposta em crescimento das vendas em 2015, depois da estabilidade do ano passado na comparação com 2013. O resultado de 2014 foi praticamente igual ao de 2013. “Não teve aumento na produção nem no faturamento no ano passado. O motivo principal para que o setor tenha ficado com o mesmo resultado do ano anterior foi a Copa do Mundo”, justifica. Enquanto no polo de Nova Serrana a perspectiva para 2015 é de crescimento, a expectativa da do presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, é que este ano será de ajustes. “A nossa expectativa é que, com os ajustes certos, possamos voltar a crescer só em 2016”, diz. De acordo com ele, a queda na demanda interna por calçados foi tão grande em 2014 que até as importações registraram queda de 3,1% no acumulado de janeiro a novembro com relação a igual período de 2013. Para o Klein, a Copa acabou alavancando negócios nos setores de serviços, entretenimento e de linha branca em detrimento de outros. “Tivemos um primeiro semestre mais estável e um segundo semestre, com a realização da Copa, muito ruim”, disse. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção do setor de couro, artigos para viagem e calçados registrou queda de 4,5% em 2014 na comparação com o ano anterior. E não foi apenas a indústria de calçados que teve um resultado que deixou a desejar. A produção industrial brasileira registrou queda de 3,2% em 2014. Em Minas, o recuo foi de 2,9%. Em 2013, a indústria ainda conseguiu resultado positivo, com alta de 2,1% na produção, ainda conforme o IBGE. Já em Minas Gerais, o resultado foi negativo, porém numa intensidade menor (-0,3%). Além da produção, o faturamento real do segmento de couro e calçados, conforme levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) em 2014, registrou recuo de 1,26% frente ao resultado de 2013. Embora negativa, a retração foi menor que a média da indústria do Estado, que computou queda de 6,22%. (Colaborou Aline Diniz/com agências) Quase tudo é vendido no Brasil O foco da produção de calçados do polo de Nova Serrana é o mercado interno, segundo o vice- presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Calçados de Nova Serrana (Sindinova), Júnior César Silva. Hoje, a estimativa é que apenas cerca de 2% dos calçados fabricados no polo vão para o mercado internacional.

De acordo com ele, o auge das exportações aconteceu em 2002, quando as fábricas venderam em torno de 5% da produção para fora do país. Naquela época, o principal mercado era a Argentina. “Só que a crise no país e as barreiras que foram colocadas dificultaram as vendas”, observa.  Em todo o país, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), no ano passado foram exportados 129,5 milhões de pares por US$ 1,067 bilhão, cerca de US$ 30 milhões a menos que em 2013. Em pares, porém, o resultado foi positivo, com recuperação de 5,4%. A explicação da diferença passa pela queda de 7,5% no preço médio do produto embarcado, que ficou em US$ 8,24. Para o vice-presidente da entidade, Heitor Klein, o dólar mais caro deve melhorar os níveis dos embarques em 2015. (Com agências)

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