Uma parábola moderna que transita entre o bem e o mal

Jan Ögren - Psicoterapeuta e escritora

iG Minas Gerais | Ana Elizabeth Diniz Especial para O TEMPO |

“O mundo do espírito é real e está lá para nos ajudar em nossa vida diária”
Barany Editora/Divulgação
“O mundo do espírito é real e está lá para nos ajudar em nossa vida diária”

Jan Ögren, 55, foi aprendiz dos mestres nativos norte-americanos, aprendendo a caminhar tanto no mundo “normal” quanto nos reinos místicos. Escritora e psicoterapeuta, ela acaba de lançar “Mundos em Divisão”, ficção em que relata a aventura de Miranda, que passa por mundos paralelos com o auxílio dos espíritos animais para desvendar segredos farmacêuticos modernos.

Quando você começou a se interessar pelos mundos paralelos? Eu sempre senti que existia um algo mais em outro lugar, um mundo diferente, mesmo quando eu era muito pequena. Eu nunca senti que encaixava no mundo “normal”. Tentei sentir o mesmo interesse que as garotas da minha escola, que cresciam comigo, por coisas como roupas e bonecas. Sempre me senti muito sozinha na natureza ou com o meu gato. Quando eu tinha 22 anos, conheci um mescalero, um apache curador de uma tribo de nativos americanos do Novo México. Ele me mostrou como viajar entre diferentes mundos e considera que o nosso mundo é cheio de ilusões e que o mundo “real” é o do espírito. Ele revelou minhas conexões com o meu espírito animal. O urso, personagem do meu livro, é baseado no espírito do urso que é meu guia e ajudante. Eles têm o mesmo senso de humor.

Sobre o que fala o seu livro?

Tendo em vista o conceito de que o mundo é divido em planos, o livro é uma parábola moderna que mostra a luta entre o bem e o mal. A obra conta a história de Miranda, que recebe um alerta de seu guia espiritual para se juntar a quatro guardiãs místicas em uma conferência de neurociência na Companhia Farmacêutica do Futuro. O contato com esses seres traz para a história um aprendizado básico de como lidar com o cotidiano de um ponto de vista mais profundo, que atrai a atenção do leitor.

A personagem se aventura em mundos paralelos para resolver situações de seu cotidiano que envolvem família, amigos e a conexão com os espíritos animais que nada mais são que guardiões detentores da energia vital e aliados da grande aventura de viver. Miranda se depara com denúncias de certos setores da indústria farmacêutica, que trabalham a favor de si mesmas, e não a favor dos seres humanos. A temática entra no conflito de quem enfrenta vícios, como o alcoolismo, e de que forma lidar com isso, além de questões como a passagem para a morte.

 Qual é a mensagem principal? O mundo do espírito é real e está lá para nos ajudar em nossa vida diária. Nós estamos em uma época em que os humanos estão evoluindo seus cérebros, assim como Miranda. Escrevi esse livro para pessoas que sentem que existe algo mais no mundo do que ganhar dinheiro e ter a melhor casa e o melhor carro. Ele é para pessoas que tiveram experiências que não fazem parte do mundo “normal”. Eu quero que elas sintam que sua conexão espiritual é real e valiosa, e algo que pode ajuda-lás em sua vida diária. Eu também escrevi esse livro para ser divertido e mostrar as possibilidades incríveis que estão disponíveis para todos nós. Eu o escrevi para dar esperança para as pessoas de que o mundo pode mudar de um jeito surpreendente, porque eu tenho visto milagres maravilhosos, e eles acontecem o tempo todo.

Por favor, fale mais um pouco sobre a conexão com o mundo animal. Ela é real? Tudo no livro é baseado em experiências reais que eu tive ou que outras pessoas me contaram. É um romance, e os eventos e pessoas não são reais, mas as ideias e princípios, sim. No livro, Mirau é um gato que eu conheci quando estava crescendo. Ele foi meu primeiro guia e ajudante, e me auxiliou de forma semelhante que ele ajuda Miranda no livro. Mirau é muito mais que um gato, pois tem as mesmas atitudes e comportamentos irritantes de um felino, mesmo que seja um espírito. Algumas das aventuras de “Mundos em Divisão” não acontecem ainda no mundo, mas em outros, e isso me dá esperança para o nosso.

Esse é um mundo próximo de nós? Tem energias positivas ou negativas? O mundo do espírito é o da conexão com toda a natureza e com todos os seres. Fui convidada para ir ao Copan Honduras, uma cerimônia que aconteceu em 21 de dezembro de 2012. Os maias e muitos povos indígenas acreditam que há uma mudança acontecendo no mundo. Quando estava lá, tive uma experiência que me permitiu sentir que todos somos um só povo. Mesmo conhecendo apenas algumas palavras em espanhol, quando o xamã e curandeiro maia estava falando, eu pude compreendê-los por causa da conexão por meio de nossos corações. Esse é um exemplo de como nós podemos nos unir a partir de diferentes culturas e línguas para atuarmos pela paz e cura de todo o mundo. Eu podia não somente compreender o espanhol, como eu traduzi para outras pessoas do meu grupo. Em minha mente, eu estava pensando: como eu posso estar traduzindo essas palavras se eu não falo espanhol? Eu tentei ignorar a dúvida em minha mente para que pudesse continuar compreendendo e me conectando com o xamã. Eu também acredito que estamos em um momento crucial em que as consciências estão mudando e nossos cérebros estão evoluindo. Essa é uma mudança positiva, em que as pessoas estarão menos reativas e defensivas e mais cooperativas. Elas vão viver o que eu escrevi no livro, o que significa viver sua vida em harmonia consigo, com Deus e com os outros.

O que nós podemos aprender com os mundos paralelos? Que todos nós temos um lugar no mundo, e quando somos corajosos o suficiente para assumirmos nosso eu verdadeiro, o mundo nos apoia. Essa é a concepção e orientação do livro. É uma mensagem parecida com a que Paulo Coelho faz no livro “O Alquimista”. Quando nós vivemos nossa vida totalmente, o universo nos apoia. A vida pode ser mais fácil quando nos abrimos para a ajuda que vem do mundo espiritual. Fui convidada por espíritos para escrever “Mundos em Divisão”. Eles disseram que se eu escrevesse o livro eles iriam comercializá-lo e certificar-se de que as pessoas que precisassem lê-lo fossem capazes de obtê-lo, para ajudá-las a compreender as suas vidas e incentivá-las a serem fiéis a si mesmas. Depois que publiquei o livro nos Estados Unidos, apenas seguindo a orientação dos guias espirituais, recebi um e-mail de Júlia Barany, do Brasil, perguntando sobre a possibilidade de tradução da obra para o português. Isso foi muito significativo para mim, porque o Brasil é um país muito importante e está em um momento crucial, em que a consciência está mudando rapidamente e as pessoas precisam de incentivo para revelarem seu verdadeiro eu e verem as possibilidades acontecendo ao seu redor.Espíritos, ou o que algumas pessoas preferem chamar de intuição, são muito úteis. Há poucos minutos atrás, eu senti uma chamada do reino do espírito para enviar orações de cura e amor ao Brasil. Eu estava indo cuidar da edição de meu próximo livro, “Dragon Magic: Amazing Fables for all Ages”, quando comecei a trabalhar no computador e acabei acessando, por engano, minha caixa de e-mails. Mas não há erros, eu bem sei disso. Entre as mensagens recebidas, uma delas me perguntava sobre a possibilidade dessa entrevista, para que eu pudesse compartilhar meus pensamentos de esperança e de paz com o Brasil.

A jornalista Ana Elizabeth Diniz escreve neste espaço às terças-feiras. E-mail: anadiniz@terra.com.br

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