Valorizar para fortalecer cena

Produtor Bart Ramos ressalta importância de prestigiar shows internacionais em BH para que mais artistas venham

iG Minas Gerais | ucas buzatti |

Fomentador. Bart Ramos em frente à sua loja de discos 53 HC, na Galeria Praça Sete
JOÃO MIRANDA / O TEMPO
Fomentador. Bart Ramos em frente à sua loja de discos 53 HC, na Galeria Praça Sete

Mais de 15 anos de atuação depois, Bart Ramos, produtor e dono da loja 53 HC, traz também na bagagem o Circuito Cultural Brasil Diverso, realizado no fim do ano passado na sede da Funarte em Belo Horizonte, que reuniu em pequenos shows novos nomes da música brasileira e artistas consagrados em todos os estilos da produção nacional.

Bart elogia nesse formato de show minimalista, a aproximação da banda com o público, o que possibilita diferentes interações. “Hoje em dia, eu vejo as coisas se distanciarem. Antes, a galera ia para a porta das lojas saber de som, se inteirar das novidades, as pessoas se encontravam mais, a informação era mais difícil de ser compartilhada. Agora, está tudo aí, mas é uma overdose, não tem filtro. É tão ou mais importante que antes trocar ideias, ver e conhecer gente”, defende.

Papel de plateia. No entanto, o produtor lembra a importância de apoiar os shows internacionais de rock, para possibilitar a vinda de bandas emblemáticas à capital mineira. “As pessoas ficam achando desculpas para não ir aos shows, como se não fosse problema delas. Mas, cara, nós somos a cena, nós que fazemos acontecer. Você pode não gostar tanto da banda que vem hoje, mas é importante ir ao show, ou pelo menos ajudar a divulgar, ou pelo menos não falar mal, para que as bandas que você curte venham também. Quando eu imaginava ver o Black Sabbath na minha cidade, sabe? Então, eu vou ao show do Foo Fighters hoje, que não é uma banda que curto muito, para apoiar a cidade. Para mostrar que é viável fazer grandes shows aqui. Para que eu possa ver também o Kiss, o AC/DC, o Rolling Stones”, reflete, com o semblante sério.

Durante anos e anos, os amantes de música pesada de Belo Horizonte tiveram que garantir lugar em excursões rumo a São Paulo, Rio de Janeiro ou Porto Alegre caso quisessem assistir a grandes shows internacionais de rock. Mas, desde 2006, com a vinda dos norte-americanos do Slayer, a capital mineira foi, aos poucos, entrando na rota dos megashows gringos. Vieram, depois, grupos como Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Judas Priest, Megadeth, entre ouros. “Cara, quem imaginaria que veríamos o Black Sabbath na esplanada do Mineirão? Aquilo foi surreal”, frisa Bart, lembrando a apresentação dos britânicos na cidade, em 2013.

Instabilidade. Mas é viável trazer medalhões para Belo Horizonte? “O público daqui é muito instável. Várias vezes já vi shows de bandas importantes, que vêm à cidade pela primeira vez, e as casas ficam vazias”, comenta.

Bart conta que a capital mineira perdeu a chance de receber um show do Metallica, em 2013, por conta da desconfiança das produtoras com relação às plateias roqueiras. “Acabaram fechando com a Beyónce, já que o público de música pop é mais ‘tiro certo’. Preferiram não arriscar. Se o roqueiro de Belo Horizonte não gerasse esse medo nos produtores, teríamos visto o Metallica aqui na cidade”, lamenta. “Temos que lembrar que a produção de shows, principalmente desses grandes espetáculos, é um negócio. É caro trazer uma banda grande, tem que ser rentável para quem produz e para isso tem que ter público”, reforça.

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