Carnaval de Ouro Preto sente o baque do sucesso de BH

Fuga dos foliões está está relacionada ao renascimento da festa na capital e aos boatos de que faltaria água em um dos principais destinos históricos de Minas

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Fantasias dão vida às ladeiras de Ouro Preto
Lincon Zarbietti / O Tempo
Fantasias dão vida às ladeiras de Ouro Preto

Na contramão do Carnaval de Belo Horizonte, Ouro Preto neste ano viu o número de turistas cair. Os comerciantes avaliam que o movimento está até 30% menor que no ano passado. A fuga dos foliões - para os moradores e visitantes que não deixaram de aproveitar o feriado na cidade - está relacionada ao renascimento da festa na capital e aos boatos de que faltaria água em um dos principais destinos históricos de Minas. Apesar de as ruas estarem visivelmente mais vazias, a prefeitura e a Polícia Militar acreditam que a estimativa de 70 mil foliões por dia será confirmada. 

Na tarde e início desta segunda-feira (16), a praça Tiradentes e a famosa rua Direita estavam vazias em relação ao padrão da cidade para esta época do ano.  As amigas belo-horizontinas Daiana Francesca, 25, e Gabriela Vitral, 22, deixaram o efervescente Carnaval de Belo Horizonte para se divertir em Ouro Preto. Elas lamentaram que o público estivesse menor, mas garantiram que a festa não deixou de estar animada.

"Não arrependo de ter deixado Belo Horizonte para vir para cá. Quem está aqui veio animado", disse Daiana. "A festa aqui é mais tradicional e tem muitas opções", afirma Gabriela. As estudantes acreditam que o resgate do Carnaval da capital "abocanhou" os foliões de Ouro Preto. 

O carioca Luiz Ricardo Cardoso, 26, passa pelo segundo ano o feriado no município. Ele também percebeu a diferença na quantidade de pessoas. "A suspeita de falta de água pode ter assustado algumas pessoas. Está mais vazio, mas não menos animado", disse. Ele mesmo chegou a questionar a organização da república Gaiola de Ouro sobre esse risco.  

De acordo com a prefeitura, não houve qualquer ocorrência de falta de água na cidade e também não foi preciso fazer um rodízio no abastecimento dos bairros, como chegou a ser cogitado. 

O Carnaval com ruas mais tranquilas agradou aos moradores da cidade, que há alguns anos tentam retomar a tradição de marchinhas. "Acho que é positivo porque dá para aproveitar com mais tranquilidade. Antes não dava nem para andar na rua. E a cidade também fica mais preservada", acredita o comerciante que mora na rua Direita, Arnaldo Gomes. 

A moradora Aline Moraes Barbosa, 20, diz que, neste ano, algumas amigas fizeram o movimento contrário e viajaram para Belo Horizonte. "Normalmente, as pessoas vem de lá para cá. Neste ano foi o contrário. Mas não acho que isso diminui o nosso Carnaval. A prefeitura precisa reinventar a festa aqui", avalia a estudante. 

Já os lojistas e ambulantes que contavam com a cidade entupida de turistas e, consequentemente, consumidores para faturar no feriado não gostou nada da mudança. A queda nos negócios, segundo eles, deve ser entre 20% e 30%. A ambulante Jaina Matilde completa 11 anos vendendo bebidas e cachorro quente nas ladeiras da cidade em 2015. Ela diz que neste ano as vendas caíram até 30%.

"Foi surpreendente. Imaginávamos que seria ótimo, mas foi o contrário. Acho que o medo de faltar água pode ter atrapalhado a vinda das pessoas", lamentou a vendedora diante de uma rua Direita quase deserta. No meio da tarde desta segunda-feira, choveu forte por alguns minutos, o que deixou as ruas ainda mais vazias. Quando a chuva deu trégua, os foliões voltaram para as ladeiras ouropretanas. 

Ana Paula Queiroz, dona de uma loja de acessórios, também se surpreendeu com a queda. Ela acredita que a crise econômica e o fato de o Carnaval de Belo Horizonte ter estourado interferiu na escolha do destino dos foliões até então fieis. "A cidade está mais desanimada. É de assustar o nosso movimento. Normalmente a rua fica lotada e a loja também. Acho que a festa fica muito localizada nos blocos. Precisa diversificar mais", afirmou a empresária. 

Durante esta segunda-feira, já desfilaram o bloco Balanço da Cobra, Vilodum, Bandalheira Folclórica Ouropretana e da Capoeira. A programação conta ainda com dezenas de shows espalhados em cinco palcos pela cidade e as festas nas dezenas de repúblicas. À noite, a banda Pequena Morte sobe no palco principal da praça Tiradentes. 

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