Para 91%, governo tem culpa

Pesquisa aponta que faltou planejamento dos governantes para evitar desabastecimento

iG Minas Gerais | Angélica Diniz |


Níveis críticos.

 Sistema Serra Azul, em Juatuba, na região metropolitana de BH, estava com nível de 7,7% na última sexta-feira, dia 13
Uarlen Valério
Níveis críticos. Sistema Serra Azul, em Juatuba, na região metropolitana de BH, estava com nível de 7,7% na última sexta-feira, dia 13

A falta de água já é uma realidade para grande parte da população brasileira. Restou aos governos e concessionárias implementarem rodízios e sobretaxas, penalizando ainda mais o consumidor. No entanto, pesquisa realizada nos meses de janeiro e fevereiro em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro aponta que 91% dos entrevistados responsabilizam o governo pela crise hídrica na região Sudeste. Desenvolvido pela empresa de pesquisa de opinião Expertise, o estudo mostra ainda que 89% das pessoas acreditam que o fornecimento de energia elétrica poderá ser afetado.

Esse resultado confirma a opinião do professor aposentado da UFMG Adelbanir Braz. Para o especialista em hidrogeologia e meio ambiente, o descaso com planejamento dos governos federal, estaduais e empresas de abastecimento levou a essa situação-limite. “A falta de projetos e de investimentos no setor causou essa crise. Só que quem vai ser responsabilizada por ela somos nós, consumidores”, disse.

Em Minas Gerais, o rodízio de abastecimento e a cobrança de sobretaxa para quem não economizar 30% de água já estão sendo avaliados pela Copasa, o que causou revolta no professor. “Essa medida é absurda. Quem tem de pagar uma multa pesada é a Copasa, por não ter impedido que a situação chegasse a esse ponto. A empresa tem de cumprir o papel dela, que é abastecer a população das cidades que atende e cobrar por isso”.

De acordo com o instituto Expertise, quando essa mesma pesquisa foi realizada em outubro do ano passado, a percepção das pessoas era outra. Há cerca de três meses, os entrevistados atribuíram a crise ao mau uso da água e dos recursos hídricos pela população e à falta de chuvas.

O professor acredita que o período de estiagem não é uma desculpa. Segundo ele, o investimento maior em captação de água subterrânea e novas adutoras seria um caminho para evitar a crise. “No Nordeste do país, existem adutoras de 200, 300 quilômetros para captar água de rios, e não é uma obra cara. Com água subterrânea captada da serra do Curral, por exemplo, daria para abastecer entre 50% e 60% de Belo Horizonte”, explica Braz.

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