Setor sucroenergético mineiro acumula dívida de R$ 8 bilhões

Até 2008, usinas investiram pesado, mas etanol perdeu competitividade, e sobraram muitas contas

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Expectativa. Setor espera reverter crise responsável pelo fechamento de 83 usinas no Brasil nos últimos seis anos, sendo oito em Minas
Expectativa. Setor espera reverter crise responsável pelo fechamento de 83 usinas no Brasil nos últimos seis anos, sendo oito em Minas

Com as dificuldades enfrentadas nos últimos anos, o setor sucroenergético brasileiro somou uma dívida de quase R$ 80 bilhões, conforme estimativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Em Minas Gerais, a dívida do setor está na casa de R$ 8 bilhões. A estimativa, do presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, considera o fato de o Estado responder por cerca de 10% da produção nacional. “O endividamento é alto, pois os investimentos demandados pelo setor são elevados, e ainda tem a questão dos juros”, observa Campos. As dívidas são fruto de uma época áurea, que durou de 2003 a 2008. Nesse período, embalado por programas de incentivo do governo federal, o setor investiu alto. Mas, depois disso, o esforço do governo para manter os preços da gasolina controlados – como a eliminação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o petróleo – tiraram a competitividade do etanol. As vendas caíram, e o setor travou. Campos afirma que o cenário para 2015 ainda não é dos melhores, mas há potencial de crescimento no país, desde que medidas adequadas ao setor sejam implementadas. “O Brasil é o maior produtor de açúcar no mundo, e 65% da nossa frota é de carro flex. Só que o produto precisa ser competitivo para que o consumidor abasteça seu carro com álcool”, diz. Esperança. Para este ano, a torcida é por chuva, para amenizar os impactos da seca na produção. A colheita se concentra em abril e, sem as águas, a produção ficará comprometida. Apesar de não descartar dificuldades, entre elas, o endividamento alto, Campos aposta em resultados melhores em 2015. No caso do açúcar, a redução do excedente do produto no mercado internacional deve ajudar na recuperação dos preços. No caso do etanol, o retorno da Cide, que vai encarecer a gasolina a partir de março, traz esperança. “A volta da Cide deve ajudar a atividade, pois torna o etanol mais competitivo”, diz. Outra boa notícia é a mudança da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Prestação de Serviços (ICMS), que hoje é de 19%, vai cair para 14%. A mudança passa a vigorar em 18 de março deste ano. E para não perder arrecadação, o Estado vai subir o ICMS da gasolina de 27% para 29%, e o combustível ficará cerca de R$ 0,06 mais caro, segundo estimativas feitas em dezembro do ano passado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro).

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